Provas e convicções em tempos difíceis

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Escola sem partido(?!), denúncias criminais baseadas mais em convicção que em provas, jogos com torcida única(?!), sem torcida, clubes punidos pelo que fazem alguns torcedores… o mundo está bem complicado. Gente absolutamente despreparada, mas cheia iniciativa (no pior sentido) assumiu pequenos e grandes poderes e passou a decidir o que é “certo” e “errado” no mundo, como se fosse tarefa simples.
LaerteIrregularidade
Você vai ao teatro? Vai ao cinema? Vai à shows musicais, à praia, viaja? Pode ir ao futebol também, não? Dependendo do time para quem você torce, NÃO. Parte significativa dos “jênios” que comandam o mundo imaginam que uma boa solução para reduzir a violência será obtida permitindo que apenas torcedores de um determinado time entre no estádio. Só enxergam preto ou branco, sem metáforas futebolísticas ou “raciais”. O “problema” é que o ser humano é bem mais complexo que isso. Gosta de arroz e feijão, mas em alguns dias prefere pizza; adora praia, mas em algumas férias escolhe o interior.

Já vibrei pelo Atlético-MG na Libertadores; pelo São Paulo de Zé Sérgio; o Vasco de Edmundo, Romário; o Flamengo de Zico; o Santos de Ganso e Neymar; o Barcelona dos últimos anos… Quem acompanha esse blog sabe, sou palmeirense e que há alguns dias, Na última quinta-feira…, acompanhei meu pai, tios e alguns amigos na partida Corinthians x Sport, na Arena Corinthians. Fiquei sinceramente feliz por estar com eles nesse momento e mais ainda quando vi a felicidade deles nos gols do Timão. Não deixei um milímetro de ser palmeirense, mas será que estava incorrendo em algum crime? Eu seria o que se convencionou chamar de “infiltrado”?

Como alguém pode ser impedido de entrar em algum local público ou realizar algo por suas crenças ou ideologias? Não se trata de ingenuidade, observo o mundo e sei que é perigoso passar com a camisa do Palmeiras perto de alguns torcedores corintianos, e vice-versa. Sei que é especialmente perigosa a vida das mulheres, dos homossexuais, dos negros, dos pobres… e o quanto devem tomar cuidado ao andar em determinados locais e horários. Não deveria ser, mas é. A diferença é que não faz sentido, de antemão, em um evento supostamente organizado, proibir um sujeito de entrar em um estádio por conta do time para o qual ele torce, o que no final das contas, é “apenas” uma convicção ideológica.

Há cerca de um ano e meio, aqui em Protestos, Liberdade de Expressão e o Politicamente Correto, cheguei a dizer algo na linha de que o problema nem é o preconceito, mas a discriminação. O sujeito que pense o que quiser, desde que siga as leis e (utopia) o bom senso.

O absurdo de leis, normas e proposições esquisitas é que são criadas sem um olhar mais abrangente, observando apenas o imediato e tentando “corrigir” algum problema latente. Hoje em dia podemos rir de leis antigas e/ou de outros países, tais como:

França: proibido beijar alguém no metrô;
Alemanha: almofada pode ser considerada uma arma passiva (no Brasil o vinagre também pode?!);
Inglaterra: proibido pescar salmão aos domingos;
Canadá (Ottawa): proibido chupar picolé aos domingos atrás do banco;

EUA (um caso a parte):
– Alabama: ilegal usar bigode postiço que cause risos na igreja;
– Nova York: proibido comer amendoins e andar para trás pelas ruas quando há um concerto;
– Kentucky: mulheres não podem aparecer em traje de banho nos aeroportos a não ser escoltada por policiais ou armada com um cacetete. A disposição não vale se ela pesar menos de 40kgs ou mais de 90kgs. e também não será aplicada a éguas(?!);

A lista é enorme e ridícula, mas atualmente temos situações tão exdrúxulas quanto: proposta de proibir o burquíni na França, a impossibilidade de protestar com um cartaz “Fora Temer” em um estádio de competição Olímpica no Rio de Janeiro ou a torcida única em São Paulo. No futuro, é provável que nossos filhos e netos também riam dessas situações, mas enquanto isso, nós é que choramos.

É muita convicção pra pouco conhecimento e reflexão.