Fazendo Música, Jogando Bola – Desculpe o transtorno, eu preciso falar das Paraolimpíadas

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Desculpe o transtorno, eu preciso falar das Paraolimpíadas
MarciaMalsar
Fala galera, Fila Benário na área, dando caneta até no CR7.

E hoje é dia de acender as velas e cantar parabéns, afinal de contas a coluna “Fazendo Música, Jogando Bola” comemora dois anos hoje, aqui no Futebol-Arte.

É rapaziada, dois anos, quem diria? Como o tempo passa!

Em primeiro lugar, agradeço muito ao Ricardo Roca pela parceria, pelo espaço cedido, por ter confiado em mim e ter me dado toda a liberdade para escrever o que quero e o que penso. E agradeço também a você, caro leitor, que sem você esse espaço não existiria. Acompanho nas redes sociais a repercussão dos textos e o seu carinho para comigo. Muito obrigado, de coração.

No dia 7 de setembro, tivemos abertura das Paraolimpíadas no Rio de Janeiro, uma festa linda, maravilhosa e do tamanho da grandiosidade do evento, afinal de contas, a participação de cada um dos atletas ali representa uma superação e luta diária. Mas cadê os mesmos holofotes que teve a outra Olimpíada? Nenhum canal aberto exibiu a cerimônia de abertura, nenhuma TV estava lá pra registrar a força e a garra de Márcia Malsar, que colocou no bolso todas as dificuldades de mobilidade e carregou a tocha olímpica, e mesmo caindo ela se levantou e seguiu em frente.

Que lição de vida em tão poucos minutos, mas não o suficiente para ganhar uma cobertura merecida da mídia. Aliás, com exceção do SPORTV, os demais canais têm feito uma cobertura superficial das competições das Paraolimpíadas. O mesmo Brasil que parou pra ver Usain Bolt correr como um raio no Rio de Janeiro, não viu a “Magrela” Verônica Hipólito conquistar as merecidas prata e bronze nos 100 metros e 400 metros, respectivamente.
VeronicaHipolito
Vimos o fenômeno Michael Phelps nas piscinas das Olimpíadas, e no mesmo lugar ignoramos a presença de Daniel Dias, que abocanhou nessa competição cinco medalhas, incluindo a de prata do revezamento 4×100.
DanielDias
Já parou pra ver a nossa posição no quadro de medalhas? A nossa delegação está em sexto lugar com 49 medalhas, 31 a mais que nas Olimpíadas. E até encerramento dos jogos, no próximo domingo, dia 18, pode vir muito mais.

Portanto, com título que parafraseia a tão falada coluna de Gregório Duvivier, dessa semana, eu peço desculpas por não falar do nosso amado esporte bretão hoje, ainda mais em uma data tão especial, no qual comemoramos dois anos de casa, mas era necessário falar das Paraolimpíadas, fazer justiça com os nossos atletas, com os verdadeiros heróis.

Foi impossível acompanhar os jogos e não lembrar da canção, Você Não Pode Desistir, da banda paulistana Hateen, lançada no sexto disco do grupo, o segundo em português, Obrigado Tempestade (2011). Praticar qualquer esporte de alto rendimento no nosso país, sem incentivo, sem patrocínio, já é uma tarefa heroica, agora imagine com o acréscimo de uma necessidade especial. Veja a trajetória da própria Verônica Hipólito, ela que já teve um tumor cerebral aos 12 anos, um AVC aos 15, causando uma paralisia no lado direito, reduzindo a sua mobilidade, e foi diagnosticada recentemente com outro tumor cerebral. E a mesma subiu ao pódio duas vezes, é ou não é uma guerreira?

Que fique pra nós esse exemplo de superação, determinação, força de vontade e, como diz a canção, que não podemos, nunca, desistir.

Parabéns, Guerreiros!

Fila Benário ou Vinícius Vieira de Oliveira (como é menos conhecido) é estudante de Jornalismo da FACCAMP e entre uns goles de Sprite, um Rock bem pesado, filmes do Quentin Tarantino e o seu amor incondicional pelo Coringão, mantém o blog musical Fila Benário Music desde 2009.

Os textos e charges publicados na categoria CONVIDADOS, apresentam e refletem a opinião dos mesmos, não necessariamente alinhando-se com a do Blog Futebol-Arte. Sua publicação tem o propósito de apresentar diferentes pontos de vista e estimular reflexões e debates.

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