Fazendo Música, Jogando Bola – The Best Of Olimpíada (Bonus Track: Go Pato!)

0
773

The Best Of Olimpíadas (Bonus Track: Go Pato!)
CerimoniaAbertura
Fala galera, Fila Benário na área! Com a camisa 10 jogando bola até na chuva, como diria o nosso saudoso Chorão.

Quem mais está no ritmo olímpico aí? Rapaaaaaz, é que eu vou casar ano que vem e preciso muito desse emprego, senão eu ficaria o dia todo assistindo a todas as competições possíveis. Como diz a rapaziada da minha quebrada: “O baguio tá loko”.

E no clima dessa festa olímpica, que acontece dentro do nosso quintal, separei alguns momentos aqui que chamaram demais a atenção desse tiozinho aqui, mas claro, respeitando sempre a premissa dessa parada aqui: Futebol (Esporte) e Música!

1 – QUE ARRASO DE ABERTURA!
É rapaziada, na sexta passada a minha língua pegou fogo, tive que tomar uma Sprite pra dar uma esfriada! Que abertura foi aquela, meus amigos? Não deixamos devendo nada para os gringos, foi um show extraordinário de produção, organização e tudo mais que termina com “ção”. Eu comentava com um grande amigo meu, na ocasião, que nós brasileiros não sabemos valorizar o produto maravilhoso que temos. A frente da organização toda estava a coreografa Deborah Colker, eleita uma das melhores do mundo, ganhadora do prêmio Laurence Oliver, um quase Oscar da dança. Além do cineasta Fernando Meirelles, que levou o Brasil para o mundo com o filme Cidade de Deus, além de trabalhos magníficos como O Jardineiro Fiel e Ensaio Sobre a Cegueira.

Com essa turma toda aí, tinha como dar errado? Olha que riqueza! Sem contar os nossos esportistas: Gustavo Kuerten, o cara que fazia o Brasil parar em um domingo de manhã para acompanhar outro esporte além do futebol. Oscar Schmidt, tão desvalorizado aqui no Brasil por nunca ganhar uma medalha olímpica, mas que era referência e inspiração para um garotinho que anos depois iria quebrar tudo na NBA, um chamado Kobe Bryant. E a justiça foi feita com o nosso carismático e vencedor Vanderlei Cordeiro acendendo a pira olímpica. Linda festa!

E nos números musicais, foi aí que queimei a língua mesmo. Eu ainda estava com Londres 2012 na cabeça, que teve show do Paul McCartney, além do Beady Eye cantando Wonderwall e a “volta” das Spice Girls, que eu disse que no Brasil seria um fiasco, com Ludmila e Anitta… Sim, elas estavam lá, mas eu me esqueci da riqueza da nossa música brasileira. Não lembrei de um lord, elegante e cavalheiro, que tem o sobrenome “Da Viola”, mas que toca com maestria um violão, cavaquinho, bandolim e emocionou a todos cantando o nosso Hino Nacional.

Paulinho da Viola canta o hino brasileiro na abertura dos Jogos Olímpicos Rio 2016

Aqui o link para ver a edição da Globo
https://globoplay.globo.com/v/5215484/

Enquanto a história do Brasil era contada por meio de encenações, coreografias e montagens digitais, Construção, de Chico Buarque, que na minha humilde opinião: é a melhor música brasileira de todos os tempos, tocava de fundo com arranjo orquestrado.

A música que representa o Brasil lá fora e que influenciou nomes mundiais como Frank Sinatra e Stan Getz, a Bossa Nova, também deu o ar da sua graça com a uma belíssima versão de Samba do Avião, de Tom Jobim, enquanto acontecia uma homenagem a Santos Dumont (Chupa Irmãos Wright!). E depois ela embalou um momento deslumbrante. Ao som de Garota de Ipanema, a canção mundialmente conhecida de Tom, que na ocasião foi cantada pelo seu neto Daniel Jobim, a top model Gisele Bündchen desfilou lindamente pelo Maracanã.

Gisele Bundchen desfila ao som de Tom Jobim
https://globoplay.globo.com/v/5215510/

Ludmila, o meu grande desafeto, cantou? Sim, mas cantou uma música que nem de longe lembra as asneiras que ela produz, ela interpretou o Rap da Felicidade, que de longe tem uma das letras mais tocantes ao falar da desigualdade social e a vida na periferia.

Ludmilla canta funk na abertura da Rio 2016
https://globoplay.globo.com/v/5215511/

E quem vai se lembrar de Ludmila depois que a Elza Soares interpretou Vinícius de Moraes?

Elza Soares canta na abertura da Rio 2016
https://globoplay.globo.com/v/5215512/

E em tempos de empoderamento feminino e protagonismo negro, excelente sacada da organização em chamar duas cantoras que são referências no assunto: a rapper Karol Conka e adolescente Mc Soffia.

Mc Sofia e Karol Conka cantam rap na abertura da Rio 2016
https://globoplay.globo.com/v/5215515/

A malandragem do verdadeiro Samba de Raiz representados pela dupla marota Zeca Pagodinho e Marcelo D2.

Zeca Pagodinho e Marcelo D2 cantam na abertura da Rio 2016
https://globoplay.globo.com/v/5215517/

A grande Soul Music brasileira de mestres como Tim Maia, Hyldon, Tony Tornado, Dom Salvador e outros grandes nomes foi representada pelo genial Jorge Ben, cantando o grande hino do povo brasileiro, País Tropical.

Jorge Benjor empolga o público na abertura da Rio 2016
https://globoplay.globo.com/v/5215535/

E por fim, a dupla que revolucionou a música popular brasileira, calando a Jovem Guarda e levando a MPB a outro patamar com a sua tropicália, os mestres Caetano Veloso e Gilberto Gil, esse visivelmente debilitado, cantaram e encantaram a plateia. A Anitta estava lá? Sim, mas não comprometeu em nada… Vai lá guria, ser feliz e cantar música de verdade.

Caetano, Gil e Anitta cantam juntos na abertura da Rio 2016
https://globoplay.globo.com/v/5215653/

Dá pra reclamar desse Dream Team da música brasileira?

2 – COMPETIÇÕES
Sobre os esportes, tudo que eu for falar aqui vai chover no molhado, já que a imprensa não fala em outra coisa no momento, mas se eu pudesse falar dos meus momentos favoritos até aqui, foram:

Rafaela Silva
RafaelaSilva
Mulher, negra e da periferia! Muitos falaram que ela não precisava de cotas pra chegar onde ela chegou, como justificativa da vitória. A verdade é que milhões de Rafaelas Silvas são agredidas por seus companheiros, estupradas, assassinadas e vítimas de racismo. A própria Rafaela foi alvo de racismo após a sua derrota em Londres, e esse ouro simbolizou a sua volta por cima, servindo de exemplo para todas as minorias. Como a mesma disse após receber a medalha: “O macaco de 2012 saiu da jaula e virou campeão olímpico”

A sua trilha sonora, com certeza é essa:

Ginástica Artística
GinasticaArtistica
Se tem um esporte pelo qual eu tenho uma profunda admiração é a Ginástica Artística, acreditem, é verdade! Primeiro que eu acho incrível todas aquelas piruetas, saltos, mortais e tudo mais. E segundo, porque a delegação brasileira sofre, e muito, com falta de investimento e recursos para se manter no esporte. Vira e mexe surge por aí uma matéria jornalística falando que o complexo de treino estava infestado de ratos, sem condições de estrutura, além do vilão maior: o atraso e até mesmo a falta de pagamento.

Quem não se lembra da Jade Barbosa leiloando uma camiseta no programa Altas Horas, da Rede Globo, para custear o seu tratamento médico, já que o seu clube, o Flamengo, não fazia o mesmo.

Portanto, com todos esses perrengues, chegar onde chegou já é uma vitória!

Marta x Neymar
NeyMarta
Essa foi a discussão mais acalorada da Olimpíada. Devido ao pífio desempenho da seleção masculina, em contrapartida ao crescimento e superioridade da seleção feminina. Os dois destaques viraram alvo fácil. Marta, eleita cinco vezes a melhor jogadora do mundo pela Fifa, virou a rainha do Brasil. Enquanto Neymar, o ídolo de Tiago Leifert e Galvão Bueno, virou o vilão.

Não quero ser polêmico, até porque detesto polêmica… mas na partida na qual o Brasil de Marta já estava classificado, contra a África do Sul, a jogadora foi tocada dentro da área penal e a mesma saiu da entrada violenta e prosseguiu a jogada. Me responde com sinceridade, nessa mesma situação, o menino Neymar faria o mesmo?

Bonus Track: GO PATO!
GoPato
Deixando a festa olímpica um pouquinho de lado e focando no lado Futebol-Arte da coisa, que notícia maravilhosa para o torcedor brasileiro que foi a saída, de vez, do jogador Alexandre Pato, do futebol nacional, hein?

Sejamos sinceros, quem mais acredita nesse cara? Quais títulos relevantes ele trouxe para o futebol brasileiro? Alguns Corinthianos podem citar o Paulista e a Recopa de 2013, mas o mérito não foi dele, mas sim do time de Tite que estava voando na época. E nas vezes que o time alvinegro precisou dele, esse foi uma completa desgraça para fiel torcida. Como não lembrar do pênalti RECUADO nas mãos de Dida, na Copa do Brasil. Os torcedores do Internacional também citam as conquistas histórias do clube, como o Mundial de Clubes da Fifa de 2006 e a Recopa de 2007, mas também mais mérito do próprio clube do que de Pato em si.

Apesar de eu ter horror a números (por isso que eu sou de humanas), vamos aos fatos. Com exceção desses títulos, Pato quando voltou ao futebol brasileiro teve uma atuação pífia. Agora vamos apresentar, em números, o desempenho de outros jogadores que foram repatriados ao futebol brasileiro nos últimos anos:

Ronaldinho Gaúcho
1 – Campeonato Carioca (2011) – Pelo Flamengo
1 – Campeonato Mineiro (2013)
1 – Libertadores (2013)
1 – Recopa (2014) – As três pelo Atlético Mineiro

Adriano Imperador
1 – Campeonato Brasileiro (2009) – Pelo Flamengo
1 – Campeonato Brasileiro (2011) – Pelo Corinthians

Ronaldo Fenômeno
1 – Campeonato Paulista (2009)
1 – Copa do Brasil (2009) – Ambas pelo Corinthians

Fred
2 – Campeonato Brasileiro (2010 – 2012)
1 – Campeonato Carioca (2012) – Ambas pelo Fluminense

Ahhhhh, mas foi uma covardia compará-lo com esses grandes nomes. Mas a imprensa e até mesmo o torcedor gosta de colocar Alexandre Pato nesse mesmo patamar, sendo que ele não passa de um jogador mediano.

Me irrita profundamente saber que um cara desse vale milhões de euros, enquanto qualquer moleque peladeiro da rua da sua casa joga infinitamente melhor que ele.

Mas, agora ele já foi, não está mais aqui! Foi embora, e quem fez questão de comemorar a debandada de Pato, de forma musical, foi o jornalista Vitor Guedes (Jornal Agora e Seleção Sportv) que junto com o seu filho Basílio, fizeram esse resgate musical histórico e certeiro:

Go Pato – Blog do Vitão

E vamos todos cantar o refrão? GO PATO!

VAZA MULEQUE!

Falou, rapaziada do bem!!!

Fila Benário ou Vinícius Vieira de Oliveira (como é menos conhecido) é estudante de Jornalismo da FACCAMP e entre uns goles de Sprite, um Rock bem pesado, filmes do Quentin Tarantino e o seu amor incondicional pelo Coringão, mantém o blog musical Fila Benário Music desde 2009.

Os textos e charges publicados na categoria CONVIDADOS, apresentam e refletem a opinião dos mesmos, não necessariamente alinhando-se com a do Blog Futebol-Arte. Sua publicação tem o propósito de apresentar diferentes pontos de vista e estimular reflexões e debates.

#futebolemusica