A homofobia veste verde e amarelo

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Já virou rotineiro o grito de “bicha” por boa parte da torcida, quando o goleiro adversário cobra o tiro de meta, em jogos pelo Brasil.

Ontem, domingo (7), no jogo Brasil x Iraque nas Olimpíadas, não foi diferente e, mais uma vez, “ouvimos” um silêncio desesperador por parte dos “donos do futebol” neste país.

Não apenas no jogo de ontem, mas na quinta-feira, dia 4, se ouviu diversos gritos homofóbicos contra as goleiras de Austrália e Canadá na estreia das seleções na Olimpíada, na Arena Corinthians. Tal episódio foi noticiado por um dos maiores jornais australianos, o “The Sydney Morning Herald”.

Como sempre, vai aparecer a galera do “É só brincadeira”. Não não é! O futebol é imenso (têm muitos vídeos por aí, de grandes torcidas e meios de comunicação, que amam encher a boca pra dizer “Não é só um jogo”, certo?!) e, como já estamos cansados de falar, ele é um eco da sociedade. E nesta sociedade heteronormativa, patriarcal, machista e misógina, entoar gritos de “bicha” representa intenções ruins, de comportamentos fora do padrão e não apenas sobre a sexualidade do individuo.

Ser homossexual não é errado, mas “xingar” alguém de “bicha” reforça tudo o que é fraco/ frouxo, pois essa é a construção do imaginário coletivo ao longo do tempo, acerca da homossexualidade. Portanto chamar o goleiro dentro das quatro linhas de “bicha”, se referencia à toda uma comunidade, para além da partida de futebol.

Não é liberdade de expressão, é discurso de ódio! A lei 13284/2016 que dispõe sobre as medidas relativas aos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, no seu artigo 28 que disserta sobre as condições de acesso e permanência nos locais oficiais, deixa claríssimo que não se deve “entoar xingamentos ou cânticos discriminatórios, racistas ou xenófobos”.

Portanto é de responsabilidade do governo e das autoridades olímpicas que as medidas sejam tomadas para que casos como esses não se repitam.

Se as Olimpíadas se propõe a promover a harmonia e a paz entre as nações, é justo e urgente que se façam valer esses objetivos. E publicizar tais episódios num evento desta proporção, pode ser uma forma de combater e fortalecer a luta LGBT dentro e fora do esporte.

Link da Lei: http://www.planalto.gov.br/…/_Ato2015-2…/2016/Lei/L13284.htm

Link das ofensas ao futebol feminino: http://espn.uol.com.br/noticia/619014_midia-da-australia-destaca-gritos-homofobicos-contra-goleiras-na-arena-corinthians

Thaís Nozue é fotógrafa, educadora social, militante feminista e dos direitos LGBT, administra a página Palmeiras Livre. Mãe da Maria Clarice.

Os textos e charges publicados na categoria CONVIDADOS, apresentam e refletem a opinião dos mesmos, não necessariamente alinhando-se com a do Blog Futebol-Arte. Sua publicação tem o propósito de apresentar diferentes pontos de vista e estimular reflexões e debates.

#futebolsemhomofobia