Fazendo música, jogando bola – Mundial do Palmeiras e a música perdida dos Sex Pistols

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Mundial do Palmeiras e a música perdida dos Sex Pistols – Por Fila Benário
PalmeirasSexPistols
Fala galera, Fila Benário na área, dando mais caneta que a Bic e o Renato Augusto no Brasileirão 2015.

De repente a internet foi tomada, carregada e invadida por uma nova zueira incontrolável. A frase “Palmeiras Não Tem Mundial” ecoa com muita força nas redes sociais, nos blogs de humor e principalmente nos whatsapps da vida. Aquela zueira que antes pertencia ao grande rival Corinthians, pelo fato de não ter conquistado o título continental, agora foi transferida para o time alviverde pelo mesmo não ter em sua sala de troféus um título mundial.
ZueiraPalmeiras
Quase ganhou um em 1999 mas parou no Manchester United de Beckham, Cole, Yorks, Giggs e Scholes (aliás, quem é apaixonado por futebol não pode deixar de assistir o documentário “O Time de 92” que fala da formação desse imbatível time dos Red Devils. Tem no Netflix).

Mas voltando ao assunto, a zueira reina como um cartão de créditos sem limites, mas a torcida palmeirense rebate, eles recordam o título conquistado em 1951 que a Fifa (a entidade máxima do futebol) reconhece como mundial.

Só para sintetizar toda a história (vixeeee, falei bonito agora) em 1951 aconteceu a “Copa Rio 1951”, um torneio criado pela CBD (Confederação Brasileira de Desportos) em parceria com a Fifa, logo após a Copa do Mundo aqui no Brasil em 1950, aquela em que o Brasil perdeu a final no Maracanã lotado. Os times convidados a participar do torneio foram: Juventus (Itália), Vasco da Gama, Nacional (Paraguai), Áustria Viena, Nice (França), Sporting (Portugal), Estrela Vermelha (Iugoslávia) e o Verdão.

Foi o primeiro torneio que reuniu times do mundo todo, e na final, disputada entre Palmeiras e Juventus, deu alviverde com o placar de 2×2 (já que no primeiro jogo deu Palmeiras com o placar de 1×0). Sendo assim campeão do torneio.
PosterVerdaoMundial
Pois em 2001, o Palmeiras enviou um pedido para Fifa solicitando que a entidade reconhecesse o torneio como um título mundial e só em 2014, no ano da Copa no Brasil, a Fifa reconheceu a conquista como um mundial. Mas há quem duvide e muito dessa certificação e não considere o título do Palmeiras uma conquista legítima, já que o mesmo não consta no site oficial da federação.

Resumindo, de um lado, os torcedores palmeirenses, obviamente, se conclamam campeões mundiais. Por outro lado, os demais torcedores fazem escárnio com a conquista pois a Fifa ainda não havia sacramentado o formato de campeonato mundial atual que conhecemos agora, no qual competidores vencedores dos torneios continentais, junto com o vencedor do campeonato nacional do país sede, disputam o título mais cobiçado do mundo.

E foi nessa confusão toda sobre o Palmeiras ter ou não um mundial e se a conquista de 1951 é um título legítimo mesmo, que eu lembrei da famosa história da música perdida dos Sex Pistols.

Pra quem não conhece (sim, deve ser capaz), o Sex Pistols foi uma grande banda de Punk Rock, formada no final dos anos 70 em Londres, que durou apenas três anos e lançou apenas um disco, o seminal Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols (1977). Pois bem, com a morte do baixista Sid Vicious por overdose em 1979 e o fim automático da banda, até então não se havia registro inédito nenhum da banda, além do disco citado e das duas coletâneas oficiais lançadas pela banda a The Great Rock ‘n’ Roll Swindle (1979) que era a trilha sonora de um documentário sobre a banda, que no final das contas não saiu e This Kiss (1992), ambos os discos traziam algumas novidades e sobras de estúdio, mas fora isso, nada de música inédita da banda.

Eis que lá nos anos 90 começou a ser comercializado um CD bootleg da banda, intitulado Anarchy in The USA e no meio de algumas faixas ao vivo, versões demos e outras bugigangas que causam orgasmo nos colecionadores de música, havia uma canção desconhecida e intitulada “Revolution”, era um Punk Rock veloz e frenético assim como toda a carreira dos Pistols. Seria aquela a grande música inédita da banda?

Sex Pistols – Revolution

Durante muito tempo os fãs do grupo ficaram alimentando esse presente dos deuses: “Temos uma música inédita dos Sex Pistols” e a informação casou com a volta da banda em 1996 para alguns shows comemorativos pelos 20 anos de carreira.

A verdade é, Revolution, que na verdade se chama “Revolution In The Classroom” não é uma canção dos Sex Pistols, mas sim do EX PISTOLS, banda formada pelo produtor do verdadeiro Sex Pistols, o Dave Goodman, e que contava com alguns membros dos Pistols na formação, como o guitarrista Steve Jones, o baixista Glen Matlock e o baterista Paul Cook. Na verdade, não passava de uma grande brincadeira musical entre amigos e mais pessoas dos bastidores do mundo do Rock. A banda chegou a gravar alguns discos e compactos e entre eles o Revolution In The Classroom que foi lançado em 1989 apenas na Inglaterra. Talvez o que tenha causado uma imensa confusão é que na capa estava a imagem do vocalista do Sex Pistols, Johnny Rotten, além do logo da banda estampado na frente, com certeza algum desavisado achou que se tratava de um disco da banda e compilou a faixa em uma coletânea pirata e vendou como se fosse do autêntico Sex Pistols.
CapaRevolution
Capa do compacto “Revolution In The Classroom

Para o fã mais maluco, Revolution é a canção perdida dos Sex Pistols. Para o torcedor palmeirense, a Taça Rio é um título mundial. E para todos nós, ficam aqui duas boas histórias que fazem a música e o futebol serem tão próximos, íntimos e parecidos.

Até a próxima, galera.

Câmbio desligo!

Fila Benário ou Vinícius Vieira de Oliveira (como é menos conhecido) é estudante de Jornalismo da FACCAMP e entre uns goles de Sprite, um Rock bem pesado, filmes do Quentin Tarantino e o seu amor incondicional pelo Coringão, mantém o blog musical Fila Benário Music desde 2009.

Os textos e charges publicados na categoria CONVIDADOS, apresentam e refletem a opinião dos mesmos, não necessariamente alinhando-se com a do Blog Futebol-Arte. Sua publicação tem o propósito de apresentar diferentes pontos de vista e estimular reflexões e debates.

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