“Espírito de Libertadores” na política brasileira

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Já virou um clichezão falar em “espírito de Libertadores” para indicar que os times brasileiros tem que ter raça e devem assumir uma postura mais aguerrida para superarem todos os obstáculos dessa competição. Olhando só um pouco mais de perto podemos ver que há uma enorme diferença entre ter garra e as ações desleais que se praticam por aqui. O paralelo com o ambiente que tomou conta da política nacional é total.

Só pra ilustrar, há alguns dias tivemos, por exemplo, Barcelona x Arsenal e Bayern x Juventus pela Liga dos Campeões da Europa. A despeito das diferenças econômicas, a comparação com os jogos da Libertadores é humilhante e não apenas do ponto de vista técnico. É impensável imaginar um Özil (Arsenal) dando cusparadas no rival, um Iniesta (Barcelona) tentando intimidar o árbitro, Neuer (Bayern) ou Buffon (Juventus) caindo seguidas vezes para ganhar uns minutos e etc. etc. etc.. Como já foi dito aqui em Futebol é Jogo para Macho, não se trata de imaginar que na Europa tudo funciona perfeitamente e na América Latina nada presta, mas de enxergar as diferenças.

Na Libertadores, no entanto, o que ainda se vê corriqueiramente são jogadas violentas, desleais, jogadores precisando de ajuda policial para cobrar escanteio, batalhas entre torcedores e a polícia, torcida com sinalizadores dentro do estádio, casos de agressão com gás de pimenta (na Libertadores e na Sul-Americana), ônibus de atletas sendo apedrejados por torcedores rivais, invasões de gramado, condições desumanas de disputa (altitude), barulho perto de hotel para que os atletas rivais não durmam na véspera dos jogos mais importantes e mais um monte de barbaridades.
Fluminense X Atletico Nacional
Na nossa política atual não tem sido muito diferente. Governo e oposição totalmente sem defesa, a ética pra escanteio, mídia “jogando pra torcida”, como dirigentes de clubes, federações estaduais e CBF, parcela significativa do Judiciário incapaz de agir imparcialmente e boa parte da população parecendo torcida organizada, contaminada por ódio e enfrentamento.
TorcidaOrganizadaBaseAliada
Quando alguém não pode sair às ruas com uma determinada cor de roupa por medo de ser agredido, isso não é política, é violência de torcida; quando alguém comemora a quebra da lei porque é “a seu favor”, isso é gol roubado; quando deputados corruptos conduzem o processo e compõem a comissão do impeachment, isso é como um juiz “na gaveta”; quando empreiteiras dão dinheiro em troca de obras públicas, isso são os empresários e dirigentes ganhando um “por fora” nas negociações dos atletas; quando um juiz toma decisões arbitrárias e passa por cima das leis, isso é o STJD beneficiando esse ou aquele time em decisões totalmente parciais e obscuras; se um governo escolhe um ministro pensando mais no benefício da pessoa que do país ou determina sigilo sobre informações de sua gestão, isso é jogada desleal; quando a mídia toma partido e um jornalista deixa de agir com imparcialidade, no fundo, age como uma Maria-Chuteira.

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