Sócrates – Talento e boemia podem andar juntos

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Sócrates jogou muita bola. Curtia muito a night e o carnaval. Adorava um samba e uma cerveja gelada. Uma conhecida minha, que foi mulata do Sargentelli, me contou sobre algumas artes que ele aprontou… Mas era um cidadão extremamente culto, médico, com uma visão política fantástica. Ou seja, a boemia atuava em sintonia com seu trabalho e sua cultura; um fator não atrapalhava o outro. Foi meu ídolo e uma de minhas referências. Meus amigos, como dizia João Saldanha, já disse que nunca gostei daqueles jogadores que se fazem de santinho (Bebeto, Juninho Pernambucano, Káká, entre outros). Vejam o exemplo de Sócrates, Marinho Chagas, Marinho do Bangu, Renato Gaúcho, Afonsinho, Júnior, Leandro, Edmundo, Almir Pernambuquinho, Viola, Romário, Brito, Heleno de Freitas, Garrincha etc.. Jogaram muita bola, tinham a noite como companheira e têm muitas histórias que enriqueceram o folclore do futebol brasileiro. Vejam abaixo a imagem de Afonsinho e do Doutor, tomando um chopp.
AfonsinhoSocrates
E o Doutor era assim. O futebol jamais deve se render ao “extremo profissionalismo” que se impõe atualmente. O romantismo e a paixão deve sempre falar mais alto, além, é lógico, do talento desses verdadeiros artistas da bola. E todo o artista tem um pouco de louco ou de surreal. Daqui a 50 anos nossos netos estarão, certamente, falando também desse talento e não dos santinhos da bola. Tal quais os sambas de Wilson Batista e Noel Rosa, serão para sempre lembrados, já que são maravilhosos. Já os “sambas” de gente como Thiaguinho e Alexandre Pires se perderão pela estrada da calamidade musical. Pois, só se estabelece quem tem competência. E, voltando ao Dr Sócrates, isso ele tinha de sobra, pois encarnou a verdadeira magia que todo torcedor brasileiro aprecia: talento e boemia. Mas sem deixar de ser um cidadão cumpridor de seus deveres. Então, véspera de carnaval, festa que ele tanto gostava, abrirei uma cerveja gelada em homenagem ao legado deixado pelo Doutor Sócrates, que foi Doutor da Medicina, Doutor da Bola e Doutor da Boemia. Verdadeiro brasileiro…. até no nome: Sócrates Brasileiro Sampaio S. V. Oliveira.

*** Falando em boemia, talento, samba, cerveja, carnaval, Sócrates….não poderia deixar de falar na minha querida Portela 2016. Ela vem maravilhosa e, como diz Luiz Ayrão, “aconteça o que aconteça, esse ano vai dar Águia na cabeça”. Avante azul e branco de Oswaldo Cruz. E……. desce mais uma cerveja gelada, de copo limpo, e sirva ao Dr Sócrates e ao nosso eterno Presidente Natal da Portela, que estão lá no céu.

Sergio Macedo, 53 anos, casado, praticante de corrida, carioca, católico, vascaíno e portelense, formado em Administração de Empresas e Análise de Sistemas pelas Faculdades Nuno Lisboa, RJ. Assim como Romário, nascido no bairro da Vila da Penha. Apaixonado por futebol e samba. Apreciador da boa gastronomia mas também de uma cerveja gelada acompanhada de um bom churrasco de alcatra. Autodidata em Jornalismo Esportivo, sendo discípulo de João Saldanha, Luiz Mendes e Sandro Moreyra. Não cursou Faculdade de Jornalismo, porque essa seria feita durante o período da ditadura militar e seus pais temiam que sua total aversão aos militares, que sempre teve, lhe causasse problemas.

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