Roubaram a merenda (e o direito de protestar)

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Crescemos ouvindo aqui e acolá que os estádios de futebol são dos poucos lugares em que as manifestações são livres. Se o tempo mostrou que as ruas também são ótimas nesse quesito, as redes sociais chegaram com tudo para ampliar as possibilidades de reflexão (pouca) e protestos (muitos).

Como já argumentado por aqui em Protestos, Liberdade de Expressão e o Politicamente Correto, nada disso significa que quem se expressa não tenha responsabilidade sobre o que diz. No entanto, as manifestações de rua vem sendo sistematicamente reprimidas com truculência, há um projeto de lei que pune quem “falar mal” de políticos e nas últimas semanas as torcidas tem sido impedidas de levar faixas aos estádios.
ProtestoGavioes
Na imagem acima a torcida Gaviões da Fiel em protesto realizado no jogo Corinthians x Capivariano. Em nota oficial a Gaviões traz informações importantes, duas aqui ressaltadas:

Segundo o Art. 13-A, inciso IV, do Estatuto de Defesa do Torcedor, é proibido “portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenófobo”.

E sabendo disso, tratamos de criar faixas com muito cuidado para não ferir tal artigo. As três faixas que foram expostas nas arquibancadas, eram as seguintes:

1) “Jogo às 22h também merece punição”;
2) “Rede Globo, o Corinthians não é seu quintal”;
3) “Cadê as contas do estádio?”

Nenhuma com mensagens ofensivas, muito menos de caráter racista ou xenófobo. Aliás, muito pelo contrário. Todas as faixas amparadas no que assegura a própria Constituição, no Artigo 5, dizendo que “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

Não é necessário censurar ninguém; injúria, calúnia e difamação continuam sendo crimes passíveis de punição, quando ocorrerem. Varrer a sujeira pra baixo do tapete não vai resolver nada.
TapeteFutebol