Em segundo plano – Por Juliana Costa

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Na noite da última segunda-feira, 15, em Belo Horizonte, aconteceu o lançamento do uniforme do Clube Atlético MG para a temporada de 2016. No evento, o que mais chamou a atenção não foi a vestimenta e nem a presença do recém-contratado pela equipe, o jogador Robinho, mas a apresentação: modelos desfilando de biquíni e camisa.

Com a polêmica lançada, as redes sociais foram tomadas por comentários indignados, outros favoráveis ao evento. Para muitos, as reclamações não passavam de “mimimi de feminazis”.

A questão não está nas modelos. Fizeram apenas o que estava previsto em contrato. As mulheres que se aventuram nas bancadas sabem quão difícil é a aceitação masculina. O futebol, em seu contexto histórico sempre contou a presença feminina nas arquibancadas (graças a elas, temos a definição “torcedora”, único no Brasil). Perguntas sobre as regras do jogo, comentários maldosos e julgamentos são comuns. A famosa frase “futebol é coisa de homem” contradiz o que os livros dizem sobre a modalidade afirmam: futebol é coisa de mulher, sim.

Também sofremos, torcemos, xingamos e honramos o manto sagrado. Vibramos com cada drible e explodimos assim como a bola na rede. Não estamos na efervescência apenas para admirar as pernas dos jogadores ou meramente para acompanhar o cônjuge. Somos muito mais que musas fotografadas mediante poses e sorrisos simpáticos. Somos sangue, suor e lágrimas.
Juventinas
Juliana Costa e Santa Guadalupe no jogo Portuguesa x Juventus, no Canindé, em 03/02/2016

Sabemos, infelizmente, que muitas se encaixam no descritivo acima. Generalizar, expor a figura feminina como mero chamativo está fora de contexto. A torcedora está além de peitos e bunda. Honramos a camisa, a ponto de não a usarmos apenas como uma peça, tal qual em segundo plano no evento promovido pela empresa Dry World.

Pra piorar ainda mais a situação da fornecedora, foram distribuídas aos convidados camisas com a indicação de lavagem em inglês “dê para sua mulher lavar”. Cara Dry World e Clube Atlético Mineiro, até podemos ir para o tanque, mas pra lavar a camisa do nosso amado clube após o alento, loucura e torcida de uma partida de futebol.

Foto: Fabio Soares

Juliana Costa, jornalista, juventina apaixonada por futebol, tatuagens e Rock’n’Roll.

Os textos e charges publicados na categoria CONVIDADOS, apresentam e refletem a opinião dos mesmos, não necessariamente alinhando-se com a do Blog Futebol-Arte. Sua publicação tem o propósito de apresentar diferentes pontos de vista e estimular reflexões e debates.