Retrospectiva 2015, o futebol e o mundo

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E finalmente 2015 chega ao fim! Ano difícil, em que até o otimista vê a metade do copo cheia, mas de lama. A intolerância deu as caras fortemente em Paris por duas vezes: no começo do ano, Je Suis Charlie, e nos atentados de 13 de novembro; nesse dia, o Stade de France era palco de um amistoso entre as seleções da França e da Alemanha e explosões nas proximidades fizeram centenas de torcedores se aglomerarem no campo. Na África, no Oriente Médio, no Brasil e mundo afora intolerância faz parte da rotina.
AtentadosParisStade
Até mesmo situações engraçadas tiveram um certo ar de tragédia e constrangimento. O concurso Miss Universo lembrou um pouco as eleições presidenciais de 2014. O apresentador se enganou e anunciou a Miss Colômbia como vencedora; flores, choro de emoção, sorrisos, a coroação e… a correção, a vencedora era a Miss Filipinas. Aécio também sentiu-se vencedor por alguns instantes em 2014. Os mais maldosos ainda dirão que a coincidência entre Aécio e a Colômbia não para por aí.
AecioColombia
A economia não foi bem, a política foi ainda pior e a mídia de modo geral foi um show de horror sem fim. Escândalos de corrupção tomaram de assalto o mundo todo e com as apurações finalmente ocorrendo, o destaque ficou com o Brasil e com o mundo do futebol. Políticos, empresários (J. Hawilla, André Esteves, Marcelo Odebrecht etc. etc. etc.) e dirigentes da FIFA (Eugenio Figueiredo, que foi presidente da Conmebol; Jeffrey Webb, atual vice-presidente da Fifa e presidente da Concacaf; etc. etc. etc.) e da CBF foram presos e indiciados.

JohnConfusoSe John Travolta ficou confuso, Tite não deixou as dificuldades financeiras do Timão atrapalharem o time, que conquistou seu sexto título do Campeonato Brasileiro.

Outra tragédia de enormes proporções, que muita gente ainda não entendeu, foram os milhões de refugiados. A imagem do “menino Sírio” e da repórter(?!) húngara passando uma rasteira em um homem que corria com uma criança em seus braços simbolizam o ano em que os canalhas perderam a vergonha de mostrar hipocrisia e sectarismo.

Amenidades também foram debatidas, e as redes sociais e as ruas discutiram muito se o vestido era azul e preto ou branco e dourado. Jéssica parou de bater e a Senhora, Senhora deve ter parado de correr, mas a torcida palmeirense ainda não parou de comemorar o título da Copa do Brasil que o time e ela própria conquistaram.

Um mar de lama (real) de proporções inimagináveis atingiram nove cidades em Minas e no Espírito Santo e chocaram o mundo. O rompimento de duas barragens da Samarco, cujos acionistas são a Vale e a BHP Billiton, gigantes mundiais do setor de mineração, despejou 55 milhões de toneladas de metros cúbicos de rejeitos de mineração, areia e lama por um perímetro total de 826 quilômetros de extensão, deixando tristeza, mortos, desaparecidos, desabrigados, a sensação de impunidade e uma ótima metáfora para o Brasil.

Quem encantou e atropelou foi o Barcelona, com a conquista do Campeonato Espanhol, Copa do Rei, Liga dos Campeões da Europa, Supercopa da Europa e Mundial de Clubes. Tudo isso com recorde de gols e um futebol arrasador, com destaque para o trio de ataque com Messi, Suárez e Neymar. Mais difícil que igualar o feito é parar esse time.
MSNBarca
Apesar da comemoração de alguns torcedores por títulos, vitórias, convocações, conquista de vaga na Libertadores e contratações, para o cidadão fica mesmo é a impressão de que levamos outro 7 x 1. Façamos melhor no ano que chega.
Virada2016

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Ricardo Roca
Formado em Comunicação Social e pós-graduado em Administração de Empresas, ambos os cursos pela ESPM, atualmente cursando mestrado em Linguística. Professor universitário, sócio da Roda Fiandeira, consultor nas áreas de comunicação e marketing e apaixonado por futebol e arte.