Política na Segunda Divisão

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Depois da Copa das Copas, o futebol brasileiro perdeu de vez o elã e a política nacional foi definitivamente futebolizada, no pior sentido.

Temos “rivais” se atacando em campo, “carrinhos” na justiça, “jogo perigoso” com a agenda socioambiental e competição para ver quem leva a maior “torcida” (verde e amarela ou vermelha) às ruas.

Os “jogadores” abandonaram todas as regras de fair play, todo mundo atuando como se estivesse numa disputa de times da segunda divisão da China e da Arábia Saudita, armando esquemas, rifando direitos e conquistas sociais para ser o “menos pior”.
TapeteFutebol
No banco de reservas, “novatos” agoniados para entrar em campo e marcar um gol de placa, se tornar “herói” da partida e correr para o abraço, “superando” o time de baratas tontas e fazendo alegria de um estádio lotado e decadente.

Cidadãos se comportam como torcidas organizadas, com vuvuzelas, gritos de guerra e xingamentos rasteiros que atacam a honra dos “adversários”.

Como no futebol, a política virou um grande negócio, no qual o amor à camisa e o compromisso com o time não importam. O que vale mesmo são os salários milionários, o “glamour”, os patrocinadores corporativos e os bônus resultantes de catimba e de inúmeras faltas não marcadas pelos “juízes”.

Eu, que amo futebol e amo política, tô pedindo pra sair.

Rebeca Lerer é jornalista e ativista de direitos humanos.

Os textos e charges publicados na categoria CONVIDADOS, apresentam e refletem a opinião dos mesmos, não necessariamente alinhando-se com a do Blog Futebol-Arte. Sua publicação tem o propósito de apresentar diferentes pontos de vista e estimular reflexões e debates.