Incógnita – Por João Gabriel

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Gol!

Tão cedo saiu o tento canarinho, marcado por Willian (Chelsea), que quase esquecemos o jogo contra o Chile. Rápido e ligeiro o Brasil deu a saída, perdeu a bola, roubou a bola e marcou o gol. O camisa 19 foi o melhor em campo – se movimentou, criou, driblou, tocou, bagunçou e ainda estufou a rede venezuelana uma segunda vez.

Contra os chilenos, éramos outro time. Ricardo Oliveira (Santos), apesar de simbolizar o vácuo da camisa 9, deu direção ao time de Dunga, que antes corria em contra-ataques tendo Hulk (Zenit) como falso centroavante. Filipe Luís (Atlético de Madri), apesar de melhor marcador, soube apoiar mais que Marcelo (Real Madri). No Chile fomos sufocados; contra os venezuelanos, sufocamos. A diferença não é, portanto, apenas no nome da esquadra, mas na postura desta em campo.

Oscar (Chelsea), novamente um peso em campo, saiu para entrar Lucas Lima (Santos), que além de jogar muita bola, ao fim do jogo declarou que achou pouco os três gols da seleção – e por um segundo voltamos no tempo quando quatro era pouco. Douglas Costa (Bayern de Munique), um tanto tímido no primeiro jogo, foi o que se esperava de um dos melhores brasileiros da temporada europeia até agora. Elias (Corinthians), sumido nas duas partidas, marca menos e chuta menos que Luiz Gustavo (Wolfsburg), volante parceiro que joga pelos dois.

Dunga tem alguns problemas bons para os duelos contra Argentina (fora) e Peru (casa). A volta de Neymar (Barcelona), a bela partida de Willian e Douglas Costa, a chegada de peso de Lucas Lima e Lucas (PSG), além da adoração por Hulk, complicam a prancheta do time titular. Fosse antes, diria que o ex-camisa 8 não saberia resolvê-los, mas após a boa atuação brasileira, ao menos esperemos para ver como Dunga lidará com a situação.

O comandante também tem um problema problema. O cerco do FBI fecha cada vez mais sobre Marin e ameaça a CBF. Dunga só está lá por conta destes cartolas que o adoram pelo estilo enérgico-coronelístico, além de ser bom de negócio. Caso algo de fato mude na estrutura do futebol brasileiro, Dunga, símbolo do conservadorismo da bola, seria dos primeiros a cair.

Me assustei com a atuação brasileira contra a muito fraca esquadra Venezuela: foi muito boa na maior parte do tempo. No Chile, foi o previsto: esforço em vão para tentar equiparar o vigor rojo. Antes, tinha certeza de que seríamos azarões; ontem, parecíamos favoritos. Que Brasil seremos? Futebol arte ou geração 7 x 1?

João Gabriel, 19 anos, passou em Jornalismo de primeira e em Letras com emoção. Escreve sobre futebol e esportes em seu blog O Bololô (http://obololo.wordpress.com), desde 2012. Em 2014 passou a fechar meses em Futebol-Arte.

Os textos e charges publicados na categoria CONVIDADOS, apresentam e refletem a opinião dos mesmos, não necessariamente alinhando-se com a do Blog Futebol-Arte. Sua publicação tem o propósito de apresentar diferentes pontos de vista e estimular reflexões e debates.