Crônica do quase fim – Por João Gabriel

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Faltam dois meses para acabar o ano.

Aproximando-nos que estamos do final da temporada brasileira, o futebol no país pode-se dizer esquizofrênico. O Corinthians, time que começou o ano desacreditado, sem Guerreiro e em crise, desponta como favorito, sendo seu artilheiro Vagner Love, que deve ter mais gols perdidos que marcados. Tite, sem dúvidas, sabe fazer o coletivo superar o talento individual (ou a falta dele). Santos, equipe que indicava que lutaria contra o rebaixamento, busca agora seu segundo título no ano. Um elenco cheio de promessas, balanceado com a experiência do artilheiro Ricardo Oliveira, que provou que valia muito mais do que os poucos meses de contrato que inicialmente ofereceram-no.

O Cruzeiro, desmantelado, apenas observa aquele que prometia, o Galo mineiro, bater na trave e estabilizar-se em segundo. Enquanto isso, aquele que prometia ainda mais, o São Paulo, sofre profunda crise institucional sem conseguir viver três meses tranquilos: de saída a derrota para o Corinthians na Libertadores; depois a saída de Muricy; quando parecia que o time se reestabilizava, é eliminado da competição continental nos pênaltis; contrata Osório, mas vende metade do time que tinham-no oferecido. Num final quase cômico, o presidente Aidar pede que toda a diretoria se demita após levar um soco de Ataíde Gil Guerreiro, e renuncia. É a cartolagem colocando em ruínas o último ano de carreira de Rogério Ceni.

Os palmeirenses, por outro lado, terão sua última chance de título para salvar um ano de muitas contratações. Na final da Copa do Brasil, contra o Santos, tentam não repetir a terrível atuação da final do estadual contra o mesmo adversário. Dos cariocas quem mais dá conversa é o Vasco, virtual rebaixado, já que Fla e Flu alternam vitórias e derrotas como quem não consegue decidir o prato que pedir no restaurante. Internacionalmente o destaque é a Chapecoense, que por muita falta de sorte não eliminou o campeão da Libertadores, o River Plate. Uma equipe que lota seu pequeno estádio e comanda o crescente futebol catarinense.

Lindo foi ver as fantásticas torcidas dos pequeninos gigantes que buscavam uma vaga na série B. Cada apaixonado no estádio foi um pedaço da alma do futebol brasileiro que voltou a seu corpo. A eles dedico este sucinto porém mais importante parágrafo.

José Maria Marin finalmente será extraditado: se mudará da prisão de luxo na Suíça para um apartamento de luxo em Nova Iorque. Nada mal para aquele que mais tempo enrolou sua viagem sobre o Atlântico. Blatter, suspenso de qualquer atividade relacionada ao futebol, finalmente se pronunciou sobre o assunto. O cartola maior da entidade da qual é presidente e afastado ao mesmo tempo, abriu o bico contra seu ex-aliado e também afastado Michel Platini e morreu de amores pelo seu maior aliado e também presidente (da Rússia) Vladmir Putin.

Se a temporada de futebol está quase no fim, a de caça aos cartolas apenas começou.

João Gabriel, 19 anos, passou em Jornalismo de primeira e em Letras com emoção. Escreve sobre futebol e esportes em seu blog O Bololô (http://obololo.wordpress.com), desde 2012. Em 2014 passou a fechar meses em Futebol-Arte.

Os textos e charges publicados na categoria CONVIDADOS, apresentam e refletem a opinião dos mesmos, não necessariamente alinhando-se com a do Blog Futebol-Arte. Sua publicação tem o propósito de apresentar diferentes pontos de vista e estimular reflexões e debates.