Memórias Futebolísticas: Wanderley Frare Junior

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Um domingo inesquecível

Combinei com meu pai na véspera para sairmos bem cedo de casa, já que veríamos o Linense pela primeira vez em uma final. Para mim era uma emoção nova, um fato muito diferente, pois comecei a acompanhar e torcer pelo Elefante da Noroeste alguns anos antes, quando o time retornou às disputas profissionais em 1998, depois de um recesso de quase 4 anos, em razão dos (eternos) “problemas financeiros”. E fomos nós à Rua Javari, naquela ensolarada manhã de domingo, acompanhar a final da Copa FPF de 2007, denominada naquele ano como “Heróis de 32”.

Quando chegamos ao estádio (foi a primeira vez que estive na lendária Rua Javari) ainda tive a sorte de encontrar dois amigos que estavam lá para torcer pelo Juventus, Bindi e Victor. Trocamos cumprimentos, desejei sorte aos meus chapas e fomos para o outro lado das arquibancadas, torcer pelo visitante.

Primeiro tempo amarrado, poucas chances de gols para ambos os lados, mas apesar de tudo, alguns lances de emoção. O Juventus abriu o placar logo aos 15 minutos da primeira etapa de jogo, complicando um pouco mais a situação do Linense, que já havia perdido a partida de ida em Lins por 2 a 1, obrigando o time alvirrubro a fazer três gols nessa finalíssima, caso quisesse ficar com o título. Ainda no primeiro tempo o Linense anota um gol legítimo, através de seu artilheiro Fausto, mal anulado pela Bandeirinha. Logo depois um zagueiro atleticano faz um pênalti infantil num jogador juventino. O atacante Jhonny bate mal e acerta o “pé da trave” esquerda do goleiro Gilberto. O jogo se encaminha para o final da primeira etapa e aos 41 minutos Gilsinho, do Linense, empata a partida, dando um pouco de esperança às centenas de torcedores atleticanos presentes ao estádio, no coração da Mooca, tradicional bairro paulistano.

A segunda etapa é iniciada e o Linense corre, em busca de mais dois gols, o que lhe daria o título do torneio e uma vaga na Copa do Brasil de 2008. O jogo se arrasta, quase igual ao primeiro tempo, com poucas oportunidades de gols, quando aos 38 minutos da etapa derradeira, o reserva Shizo (que entrou no lugar do zagueiro Marcelo) anota o segundo gol atleticano, incendiando a partida em seus minutos finais. A partir daí, o que se viu foi o Linense indo ao ataque com todas as suas forças, tentando o terceiro gol, que lhe daria o título.

Já nos descontos, o juiz marca um pênalti em favor do Linense. O artilheiro Fausto bate e faz, anotando o que parecia ser o gol mais importante de sua carreira. Aos 47 da segunda etapa, muitos torcedores atleticanos sobem no alambrado gritando “É campeão !!!” (eu, inclusive !!!). Mas, o jogo ainda não tinha acabado. E, aos 49 da etapa derradeira, no último lance da partida, o Juventus bate uma falta alçando a bola na área alvirrubra. Depois do corte da zaga atleticana a sobra fica na entrada da grande área para o juventino João Paulo acertar um “balaço” no canto esquerdo da meta linense, marcando o segundo para seu time. Logo em seguida o árbitro decreta o final do jogo, para delírio do grande número de torcedores juventinos presentes ao estádio Conde Rodolfo Crespi e tristeza do bom número de atleticanos no local (mais de 500 torcedores do Linense foram ao jogo).
LinensePrata
Acabava assim um dos jogos de futebol mais emocionantes que presenciei “in loco” e talvez uma das partidas que me fez gostar ainda mais do Linense (provavelmente o jogo que me transformou “definitivamente” em um torcedor atleticano, já que meu clube de infância e juventude era o São Paulo), sendo que depois do jogo, passados alguns minutos de tristeza, a torcida comemorou com os jogadores o vice-campeonato e a vaga na série C do Brasileiro do ano seguinte, pois o clube jamais tinha disputado um campeonato nacional antes. O que também contribuiu com esse sentimento de “dever cumprido” foi a taça prateada entregue após a partida, que os torcedores atleticanos comemoraram quase como a conquista desse título, ainda mais que o Linense é um clube interiorano e pequeno, sempre lutando para manter as contas em dia, uma agremiação de títulos esparsos, mas de uma torcida apaixonada e presente que merecia mais alegrias.

Depois eu soube que na volta à cidade de Lins a torcida saiu às ruas, saudando o time que chegava de ônibus, demonstrando sua paixão e gratidão pelo esforço daqueles atletas que tanto honraram a história do Clube Atlético Linense, o Elefante da Noroeste!!! Avante Linense, avante!!!

Wanderley Frare Junior é torcedor do Linense, autor do livro “Clube Atlético Linense – O Elefante da Noroeste”. Bacharel em Publicidade e Propaganda pela Universidade Braz Cubas e trabalha na Overviu Comunicação.

Texto escrito especialmente para o Blog Futebol-Arte!