Sem Magia e Pedalada, mais um título para o Peixe

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“morreu o periquito
a gaiola vazia
esconde um grito”
Paulo Leminski

Final é final e torcedor fica procurando “sinais” para antecipar se “é o dia” ou se as coisas vão desandar. No começo da transmissão da final do Campeonato Paulista, jogadores do Santos perfilados, hino brasileiro começando e o time do Palmeiras… entrando em campo, atrasado, correndo para pegar o bonde. Seria o tal sinal?

Difícil imaginar que alguém entre em uma final de campeonato desmotivado ou “fora do tom”; difícil imaginar que Oswaldo de Oliveira tenha orientado o time a segurar o resultado, mas o que se viu no começo foi apenas o Santos “na frente”, com alguma iniciativa. Aos poucos essa ligeira superioridade foi traduzida em gols, dois para o Santos, o que virava a final do avesso. O Santos passava a ter a vantagem e o Palmeiras a ter que correr mais. Robinho, do Santos, tinha alguns lampejos e Valdívia, como gostam de dizer os rivais, fazia sua melhor mágica: sumir em campo.

Provavelmente uma chacoalhada no vestiário verde e o time volta como deveria ter começado, fazendo pressão e buscando o resultado. Robinho, do Palmeiras, sem brilho, foi o escolhido para dar lugar a Cleiton Xavier, que tem entrado e mudado o ritmo dos jogos. “Água mole em pedra dura, gol do Palmeiras”. Passe sensacional de Valdívia, seu único lampejo; Robinho é que estava sumido; possivelmente tenha sentido a contusão ou a falta de condições físicas ideais.

O jogo caminhava para os pênaltis, mas ainda houve tempo para um final eletrizante, com um gol bem anulado do Palmeiras e outro perdido por Ricardo Oliveira, ainda que se possa dizer que não foi o atacante a perdê-lo, mas Fernando Prass e realizar a bela defesa.
OliveiraCraque
Falta falar da arbitragem. Se no jogo passado foi desastrosa, dessa vez não interferiu tanto. As restrições são mais de intensidade do que de conceito, os expulsões mereceram os cartões, ainda que fique a sensação de algum exagero; as faltas e os impedimentos foram marcados, ainda que fique a sensação de que Werley, do Santos, tenha feito falta dentro da área em lance do primeiro tempo.

Na loteria (#SQN) dos pênaltis, o Santos foi mais feliz e conquistou mais um título, mas no balanço geral salvam-se quase todos. Se os rivais Corinthians e São Paulo não darão o braço a torcer sobre a dor de cotovelo de ficar de fora da disputa, ainda levam a considerável vantagem de estarem disputando a Libertadores; ao Palmeiras, o consolo óbvio de que as coisas mudaram, e muito. O clube agora tem casa, é competitivo como não era há anos, conquistou patrocinadores, o apoio da torcida e, parece, organização e paz para trabalhar.

E o Santos, além do título, mostra sua incrível capacidade de renovação e a força de suas categorias de base. Parabéns ao campeão!

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