RIP Jornalismo Esportivo

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Precisamos falar sobre o jornalismo esportivo. O profissional responsável por apurar os fatos, pesquisar, definir o que é ou não importante para o leitor, editar, redigir, opinar e transmitir informações tem uma responsabilidade enorme perante a sociedade. Boa parte das pessoas tem dificuldade para relacionar informações, compreender as implicações reais de um fato e sair da superficialidade. Por isso é ainda mais fundamental a postura dos jornalistas e veículos de comunicação.

Ao contrário do que muita gente pensa, os veículos não devem “dar o que as pessoas pedem”, argumento utilizado por quem prioriza a audiência em detrimento da qualidade. Quando um veículo com grande visibilidade publica, por exemplo, uma “matéria” sobre “as gatas dos craques da seleção”, além de contribuir para que os esteriótipos se perpetuem, está gastando energia e deixando de lado uma investigação mais aprofundada sobre os desmandos das federações e dirigentes de clubes ou sobre o desempenho esportivo dos craques e times. Em outras palavras, está “gastando vela boa com defunto ruim”.

Está disseminado também, e distorcido, o conceito de infotenimento: informação + entretenimento. Na busca por aumento de público, cada vez mais o que se oferece é um pastiche de jornalismo, com sensacionalismo, exploração da privacidade, invenção de notícias e quebra de qualquer conceito que pudesse lembrar a ética.
RIPJornalismoEsportivo
Na verdade, nem é uma prerrogativa do esporte, o jornalismo de um modo geral está na UTI e piorando a cada dia.

O advento das chamadas novas mídias, trouxe junto um paradoxo com o qual diariamente estamos tentando lidar. As redes sociais, blogs e dispositivos móveis ampliam as possibilidades de cobertura de fatos e eventos e oferecem bancada a outras vozes, outros olhares; por outro lado, essa maior oferta embaralha as coisas ainda mais, dificultando a escolha por parte dos leitores / ouvintes / espectadores. Esse movimento “obriga” a chamada grande mídia a cortar investimentos, reduzir custos (e pautas), delimitar a cobertura aos assuntos mais comerciais, ignorando “todo o resto”, rebaixando a qualidade dos profissionais.

No caso do jornalismo esportivo, que mais do que qualquer um envolve a paixão dos profissionais, o caso é mais grave; “todo mundo” se sente apto a opinar sobre o universo do futebol. A informalidade vem sendo confundida com uma “desimportância” para a qualidade do texto (escrito ou falado). Falta responsabilidade para apurar e divulgar algo, opiniões são niveladas por baixo e o que vemos é uma quantidade incrível, e crescente, de programas esportivos lamentáveis tanto no rádio quanto na TV, bem como textos inacreditáveis tanto na mídia impressa quanto na web.

A solução? A longo prazo não existe outra, investir em qualificação. Agora, a curto prazo… chorar!