“Futebol é Jogo pra Macho”

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Tem quem admire quando Messi cola a bola no pé e sai driblando, as pedaladas de Robinho, um passe de costas de Cristiano Ronaldo, uma arrancada de Ronaldinho Gaúcho, a classe de Pirlo e Buffon, uma falta cobrada por Rogério Ceni, o futebol completo de Schweinsteiger, as metidas de bola de Iniesta… e tem quem admire esse “futebol coisa de macho” que se materializa há mais de 50 anos na Taça Libertadores da América.

Na semana em que pudemos assistir a espetáculos, tanto do ponto de vista futebolístico quanto em termos de organização, nas semifinais da Liga dos Campeões da Europa, com duas partidas impecáveis, Bayern x Barcelona e Real Madrid x Juventus, também vimos mais um espetáculo de selvageria, com a torcida do Boca Jrs. lançando gás de pimenta no túnel de acesso dos jogadores do River Plate.
TorcedorBoca
Além dos quatro atletas atingidos fisicamente e do abalo emocional que certamente tomou todo o grupo, a torcida do time da casa ainda atirou objetos e acertou pontapés nos dirigentes do River que tentavam entender o que estava ocorrendo e até mesmo um drone com uma camisa “fantasma” com a letra B escrita em vermelho sobrevoou o estádio. Trata-se de provocação recorrente ao River, com a camisa representando o “fantasma da Série B” argentina.
DroneB
A pressão psicológica faz parte de qualquer disputa esportiva, mas a tentativa de imposição física de um atleta sobre outro, de uma equipe sobre outra, é representativa do tipo de sociedade em que vivemos. Recentemente vivenciamos a morte de um garoto de 14 anos, em Oruro, atingido por um sinalizador atirado de dentro do estádio com o objetivo explícito de causar estrago na torcida adversária.

Não se trata de imaginar que na Europa tudo funciona e não ocorrem situações de violência, obviamente que ocorrem, mas de observar quem estamos colocando no comando aqui na América Latina, quem dirige nossas instituições.

É de se destacar também a inteligência(?!) do(s) torcedor(es) responsável(is) por tal insanidade. A gravidade da situação é tamanha que até mesmo a inoperante Confederação Sul-Americana de Futebol deve se ver obrigada a tomar medidas enérgicas contra o Boca. Provavelmente o River passa e enfrenta o Cruzeiro na próxima fase.

Não há qualquer tipo de argumento que possa ser utilizado para contemporizar o ocorrido. Jogo de bola é algo completamente diferente do que esse tipo de violência, que só pode ser explicada como uma enorme insegurança de quem a pratica em sua capacidade de vencer dentro das regras. Em pleno 2015…

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