Brasileirão 2015: aliança com o atraso

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Depois dos, infelizmente, decadentes estaduais, finalmente teve início o campeonato mais difícil do mundo, o Brasileirão. De cara, sempre 10 ou 12 clubes iniciam a disputa com chances reais de conquistar o título, o que não ocorre em nenhum outro país do primeiro escalão do futebol mundial.

Como a competição é longa, dá margem para oscilações no desempenho dos clubes; as competições paralelas (Libertadores, Copa do Brasil, Sul-Americana, Copa América, amistosos de seleções etc. etc.) colaboram para enfraquecer os times, muitas vezes em momentos-chave da competição e a janela de transferência no meio do ano ajuda a desmontar elencos e a atrasar o entrosamento necessário para um bom desempenho. Arbitragens irregulares, falta de organização e as condições precárias de vários estádios ajudam a completar o quadro.

Poderíamos ter algo equivalente a Fórmula 1, mas oferecemos algo mais parecido com um Enduro, em que a tônica são os inúmeros obstáculos colocados ao longo do trajeto.

Como se não fosse o suficiente, a entidade organizadora, CBF, e sua principal parceira comercial, a Rede Globo de Televisão, parecem fazer esforço para piorar as coisas. Na primeira rodada já vimos vários clubes atuando com seus times reservas, envolvidos que estão em outros torneios.

O tiro de misericórdia, no entanto, parece ter vindo no último sábado, no Allianz Parque, estádio do Palmeiras, sem que muita gente ainda tenha se dado conta do tamanho da sandice. Antes mesmo da bola rolar, funcionários do Palmeiras teriam sido obrigados a cobrir parte do nome do estádio por determinação da CBF sob a alegação de que tratava-se de publicidade de um não-patrocinador oficial do campeonato e não-anunciante da emissora.
AllianzCoberto
Se verdadeira, a determinação não é apenas burra, é, provavelmente, ilegal. A emissora tem todo o direito de não dizer o nome de uma equipe ou estádio durante suas transmissões, mesquinhez não é crime, mas é difícil imaginar que não fique caracterizada nenhuma ingerência ou “censura” ao estádio. Já no Campeonato Paulista a vênus platinada fez um esforço para não chamar o Red Bull Brasil pelo nome, apelidando-o de RB Brasil, assim como não chama as novas arenas por seus nomes oficiais, desvalorizando os investimentos feitos nos chamados “direitos de nome” (naming rights).

Nesses casos, trata-se de miopia, uma vez que com mais investimentos, os times serão mais fortes e a atração televisionada mais atraente. A Allianz, seguradora que patrocina outros clubes pelo mundo, pagou R$ 300 milhões por 20 anos para dar nome ao estádio reformado do Palmeiras. Que outra empresa vai ter interesse em fazer o mesmo sabendo que não terá seu investimento revertido em visibilidade?

Alguém poderá imaginar que faz parte do jogo comercial, que a Globo sobrevive com publicidade e que está apenas protegendo seu modelo de negócios. Tolice, mas vá lá… mas e a Dona CBF, organizadora do torneio? Não tem por objetivo valorizar seu produto? Com mais investimentos os clubes não poderiam segurar um pouco mais alguns de seus craques? Não daria para repatriar alguns que atuam no exterior ou mesmo trazer estrangeiros de mais qualidade? Miopia e burrice, falta de preparo.

Vai ser um longo campeonato e, suspeito, ainda veremos muitas bobagens. A Alemanha, berço da Allianz, trata bem seus patrocinadores e nós, continuamos levando de 7 x 1.