Sonho de Praia

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Acordava cedo; café da manhã, calção e rua; saía descalço, o asfalto fervia e pedrinhas no chão espetavam os pés. Chegando na praia, não era possível distinguir a areia, o mar e o céu: tudo cinza. O rachão já corria solto, dois times jogando e dois esperando. Entrava num dos times de fora.

Os jogos duravam dois gols ou 10 minutos, o que ocorresse antes. Vencedor permanecia em campo, perdedor saía. Sem juiz, sem regras claras, alguns de tênis, outros sem. Calor de quase 40 graus. Os limites do “campo” eram a água de um lado e a mureta da praia do outro. Não poucas vezes a mureta era chutada por engano em alguma dividida.

Do início do dia às 14h, apenas bola. Pausa para o almoço, caminho inverso: pedrinhas no chão e asfalto ainda mais quente. Refeição em família e rua, bola de novo. Anos 80, sem ou com muito pouco protetor solar, que por sinal, era mais conhecido como óleo bronzeador. O jogo agora não tinha hora pra acabar. Lá pelas 20h, um mergulho pra encerrar e tirar (o excesso de) areia antes de voltar pra casa.
FutebolPraia
Banho, jantar e cama. O corpo moído, os pés em pandarecos, ombros queimados… Deliciosa rotina a dos meus verões de adolescente em Itanhaém.

#futeboleliteratura

1 COMENTÁRIO

  1. Saudades, reclamava que andasse descalço…. ” põem chinelo no pé, vai cortar ou pé, vc não tem pele virou, coro de jacare… mas não adiantava, mesmo que se machucasse voltava a andar descalço e a ir jogar bola na praia de novo, tempos em que vcs eram meus, carregava para onde ia e pronto,mas como todo mundo diz… a gente cria para o mundo, e ai estão os meus filhos .
    Tempos que não esquecerei jamais… saudades…
    bjsss te amo
    mãe

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