“O n° 6 é meu filho”

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O filósofo Sartre disse que “o inferno são os outros”, mas não imaginava que iriam distorcer tanto o significado de sua reflexão. Vivemos tempos de indignação seletiva. Para alguns, incomodam os escândalos da Petrobrás, mas não os da SABESP, para outros é o contrário. Falamos em meritocracia mesmo sabendo que as condições de disputa por empregos e vagas nas faculdades, por exemplo, são completamente desiguais. E o que é pior, isso não impede que muita gente ainda apele para o “é só por cinco minutinhos”, o “todo mundo faz” ou o “você sabe com quem está falando?”.

No futebol não é diferente. Na última semana um assessor de arbitragem da FERJ (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) não teve nenhum receio (ou vergonha) de enviar um bilhete para o árbitro da partida entre Flamengo e Corinthians, pela Copa do Brasil sub-17.
BilheteN6
Tomara que tudo não passe de um grande engano e essa história seja falsa, mas mais do que um “aspone” passando vergonha, tudo isso é uma metáfora dos nossos tempos.