O Legal, o Legítimo e o caso do patrocínio das arbitragens no Paulistinha

0
564

Um dos embates mais importantes e do qual muita gente se esquece é o que se dá entre o que é LEGAL e o que é LEGÍTIMO. Vejamos uma das definições de cada uma dessas palavras segundo Houaiss:

Legal: 1 relativo à lei jurídica; conforme a, estabelecido, regulado, definido, sancionado por ou que resulta de lei;
Legítimo: que procede, que tem lógica; fundamentado.

Um dos exemplos mais simples para explicar essa diferença é o título do Corinthians no Mundial de Clubes de 2000. É absolutamente legal, o clube foi convidado, disputou, venceu o torneio e é reconhecido pela entidade que o organizou, no caso, a FIFA. Agora, sua legitimidade é questionada até hoje, pelo fato de o clube ter sido convidado sem as devidas credenciais necessárias, o título da Libertadores anterior a disputa.

Tudo isso pra dizer que outra coisa completamente diferente é o que é ilegal e também não é legítimo, como o patrocínio das arbitragens nas fases finais do Campeonato Paulista desse ano pela Crefisa, anunciado esta manhã. A empresa é patrocinadora máster do Palmeiras, um dos clubes que disputa a fase final do campeonato.
CrefisaJuiz
O artigo 15 do regulamento diz claramente “Anúncios de patrocinadores nas camisas de árbitros serão permitidos somente se não criarem conflitos de interesses com nenhum dos times participantes. Caso isso aconteça, o árbitro não deve utilizar nenhum anúncio na camisa”. Quando questionado, o Coronel Marcos Marinho, presidente da comissão de arbitragem, disse que “Eu confio nos meus árbitros e isso não vai prejudicar em nada as decisões. Não tem absolutamente nada a ver uma coisa com a outra”.

Tem sim; a relação é total e, mesmo acreditando que os árbitros tenham erro zero daqui até o final do campeonato, além da ilegalidade, conforme indica o próprio regulamento, o conflito de interesses é explícito e pode tirar a legitimidade de um eventual título do Verdão. Difícil imaginar o que seria mais conflito de interesses.
PalmeirasCrefisa
Do ponto de vista do marketing então é um verdadeiro tiro no pé. Além de alguma visibilidade nas camisas de árbitros e bandeirinhas, a empresa ganha críticas e questionamentos em volume muito maior.

Tomara que revejam.