Nacional x Juventus, mais um clássico paulista

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Longe da badalação dos clássicos entre os clubes grandes da capital, conhecidos como Trio de Ferro (Corinthians, Palmeiras e São Paulo), Nacional, da Barra Funda e Juventus, da Moóca, fizeram nessa quarta-feira mais um Juvenal Paulista, como é conhecido o clássico dos “primos pobres”.

UM POUCO DE HISTÓRIA
Nacional e Juventus tem muita coisa em comum; só pra começar, ambos são de origem operária e foram fundados por imigrantes. O clube da Barra Funda surgiu primeiro, a data de fundação marca 1919, mas funcionários da São Paulo Railway Company criaram o clube já em 1895. Em 1946, com o fim da concessão de serviços para a companhia ferroviária, o São Paulo Railway Athletic Clube mudou de nome para Nacional Atlético Clube, mantendo as cores azul, vermelho e branco, homenagem à bandeira da Inglaterra. Enquanto isso, o Clube Atlético Juventus nasceu em 1920, inicialmente com o nome de Cotonifício Rodolfo Crespi Futebol Clube. O clube da Moóca tem origem italiana, é homônimo de um dos maiores clubes da Itália e usa a cor grená, segundo uma das versões mais aceitas, em homenagem ao Torino.

NAC
A partir dos anos 50 o NAC entrou em decadência e passou a maior parte do tempo na segunda ou terceira divisões do futebol paulista. Conquistou duas vezes a série A3, em 1994 e 2000, e o título da segunda divisão (equivalente ao que seria a A4), 2014, do Campeonato Paulista, mas provavelmente sua maior glória foram alguns dos craques que vestiram sua camisa, jogadores como Cafu, Deco, Dodô, Canhoteiro, Edu Bala, Rubens Minelli, Roberto Dias, Servílio, Sérgio Manoel, Romeu Cambalhota, Biro-Biro, Jair Picerni, Carbone e ninguém menos que Charles Miller.

Juventus
O Moleque Travesso conquistou o Campeonato Brasileiro da série B, 1983, e duas vezes o Campeonato Paulista da série A2, 1929 e 2005, além de vários outros títulos não-oficiais. Desde o começo dos anos 90 também enfrenta dificuldades. Além de ter revelado jogadores como Ataliba, Julinho Botelho, Carbone, Juninho Paulista, Thiago Motta, Wellington Paulista, Betinho, Luisão (zagueiro) e Alex Alves, também passaram pelo clube Elias, Vampeta, Luizinho Pequeno Polegar, Baltazar, Tuta, Oberdan Cattani, Picasso, Milton Buzetto, Rocha, Manfrini e até mesmo César Luis Menotti, técnico campeão do mundo com a Argentina na Copa de 78.

Apesar da rica história, a rivalidade entre eles não é antiga, uma vez que não tiveram muitas oportunidades de se enfrentar. No confronto direto*, pelo Campeonato Paulista, entre 1936 e 1959, em 38 partidas disputadas até o momento, foram 19 vitórias para o Juventus e nove para o Nacional, sem contar o jogo de hoje.

(*) Fonte: Futpédia

O JOGO
Quem acompanha futebol, pela TV ou nos estádios, curte as novas “arenas”, a organização, arquibancadas lotadas etc., mas o que se viu hoje no estádio Nicolau Alayon parecia estar mais perto do “futebol de verdade”. 645 torcedores geraram uma renda de pouco mais de R$ 8 mil para acompanhar o “Juvenal”. Um universo completamente diferente do chamado “futebol moderno”.
VitorGuedes_Roca
Vitor Guedes, da Coluna Caneladas do Vitão, do jornal Agora e este blogueiro que vos escreve.

Apesar da partida equilibrada, o Nacional venceu por 2 x 0 e manteve as chances de classificação para a próxima fase da A3. O Juventus já está classificado.

Se no começo o time da Moóca parecia ter o domínio territorial, as melhores chances sempre foram do time da Barra Funda que, inclusive, perdeu um pênalti no final do primeiro tempo. Na etapa final, com a entrada de Jorge Mauá, autor dos dois gols, o Nacional ficou ainda mais perigoso nos contra-ataques. Clássico que é clássico tem confusão e esse não foi diferente; princípio de briga em campo, reservas se envolvendo, chega pra lá, empurra-empurra que o árbitro resolveu com um cartão vermelho pra cada lado. No final das contas, resultado justo.

Assim, fica até difícil se animar pra falar algo da Libertadores, Liga dos Campeões da Europa, Copa América etc. etc. etc.. Vamos tentar.

Atualização (09/04, 13h): agradecimentos ao Vitor Guedes pela citação em sua coluna no Terceiro Tempo.