Fazendo Música, Jogando Bola – Quando a política vira futebol

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Quando a política vira futebol – Por Fila Benário
PTPSDB
Saudações caros torcedores do Futebol Arte. Fila Benário chegando, e se botar a mão na bola dentro da área e Ricardo Roca ver, já sabem né?

Hoje domingão, para muitos é dia de ir à missa, ou culto, independente da religião. Dia de levar o cachorro pra passear, dar uma volta de bicicleta, pegar um cineminha com a patroa. Domingão é dia de macarronada com a família, churrasquinho com os amigos, assim como também “É dia de descanso e programa Silvio Santos” já cantavam os Titãs. Além é claro de domingo ser o dia do futebol, o religioso futebol nosso de cada dia às 16h.

Porém esse domingo será um domingo atípico em nosso país, será o domingo em que o povo irá para as ruas, e não será para festejar a comemoração de um título como já fizemos diversas vezes, mas sim para pedir o impeachment da Presidenta Dilma Rousseff.

Não entrarei no âmbito da questão política-partidária aqui, até porque o Futebol-Arte não é espaço para isso, e muito menos a minha humilde coluna. Mas pelo fato de eu ter notado que a discussão política em nosso país virou uma rixa futebolística, me senti na obrigação de tecer algumas linhas a respeito.

Faz exatos 21 anos que o Brasil não conhece outro partido político na Presidência da República. De 1994 à 1998 e de 1999 à 2002, o Brasil esteve sob o comando do Presidente Fernando Henrique Cardoso, do partido PSDB. Eis que em 2003 assume o Petista Luiz Inácio Lula da Silva, que foi reeleito no ano de 2006, ficando até o fim do mandato em 2010. A ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, também do Partido dos Trabalhadores, foi eleita no mesmo ano, e agora reeleita em outubro de 2014. Resumindo a conta toda, foram oito anos de PSDB x 12 anos de PT até o momento. Porém nessas últimas eleições a rixa entre PT x PSDB se intensificou mais ainda. Com o fim da apuração de votos do primeiro turno das eleições, que colocaram os candidatos Dilma e Aécio Neves (PSDB) disputando o segundo turno das eleições, o Brasil voltou àquela velha polaridade partidária, PT e PSDB, essa foi à quarta vez consecutiva que os dois partidos se enfrentaram no segundo turno, reacendendo a velha rivalidade que existe entre ambos. O PT que tem a sua raiz na esquerda (mas que se perdeu ao chegar ao poder) tem um grande número de militantes, todos engajados em causas sociais, em defesa da política voltada à população menos favorecida e quem for contrário a esse racionalismo, no caso o partido opositor, é ferozmente intitulado de “coxinha”, “elite branca”, “tucanada” e entre outros adjetivos.

E já do lado oposto, o PSDB, que quando fundado pelo cientista político Luiz Carlos Bresser (que curiosamente declarou o seu apoio e voto em Dilma, nas últimas eleições) tinha a intenção de ser um partido de centro-esquerda, mas que ano a ano tem se enveredado para a direita. O partido tem um grande número de simpatizantes, principalmente no estado de São Paulo, onde reelegeram o governador Geraldo Alckimin no primeiro turno, e vê nos simpatizantes do PT os seus inimigos mortais chamando-os de “Petralhas”, “Comunistas”, intitulando os intelectuais do partido de “esquerda caviar” e pedindo o exílio de todos em Cuba, além de bater panela na varanda durante o pronunciamento da presidenta, como aconteceu na semana passada.

E essa passeata pró-impeachment representa bem esse período vivenciado. Que a corrupção existe em nosso país e que é vergonhosa, ela existe sim e tem que ser combatida de uma vez por todas, mas não é pedindo a saída da presidenta que o problema será resolvido, mas sim exigindo a reforma política, e que seja acordada e ampliada a participação do povo na constituição e no futuro do nosso país, além da diminuição do número dos parlamentares que são os mais caros do mundo todo.

E está na hora de uma nova legenda partidária assumir o poder, por mais de 20 anos o Brasil teve apenas dois partidos no poder. Porque não dar uma oportunidade para novas propostas e esperar melhorias?
LadeiraAbaixo
Resumindo, o futuro do nosso país virou uma discussão de pré-primário, virou um verdadeiro jogo de futebol, onde não se analisa propostas e melhorias, cada um escolhe o seu time, torce fervorosamente, e no fim, para os vencedores resta a comemoração e a defesa sem limites, e para os perdedores a ira e descontentamento nas redes sociais, e agora o brado retumbante nas ruas.

E a trilha sonora disso tudo é a famosa composição de Milton Nascimento e Fernando Brant, que ficou eternizada na voz do grandioso Wilson Simonal, que reflete muito bem esse ponto discutido: “Aqui é o país do Futebol” até mesmo na hora de decidir o futuro dele.

Aqui é o País do Futebol – Wilson Simonal

E para os torcedores da volta da Ditadura Militar no país, exaltando os militares como os defensores da moral e que farão uma limpa no que há de mais corrupto na Brasil. Saiba que mais da metade dos condenados na operação Lava Jato, faz parte do partido político do deputado Jair Bolsonaro, um dos defensores ferrenhos da volta da ditadura e resíduo do partido Arena, do período militar.

Mas se essa informação ainda não te convence, e se a Intervenção Militar é única solução, “Gigante e Inseguro”, da banda mezzo capixaba e mezzo paulista, Dead Fish, é a sua trilha sonora.

Gigante e Inseguro – Dead Fish

Fica aqui o recado do Tio Fila Benário nesse domingo em que até o futebol vai ser de manhã para não atrapalhar os protestos…

Fila Benário ou Vinícius Vieira de Oliveira (como é menos conhecido) é estudante de Jornalismo da FAPSP e entre uns goles de Sprite, um Rock bem pesado e o seu amor incondicional pelo Coringão, mantém o blog musical Fila Benário Music.

Os textos e charges publicados na categoria CONVIDADOS, apresentam e refletem a opinião dos mesmos, não necessariamente alinhando-se com a do Blog Futebol-Arte. Sua publicação tem o propósito de apresentar diferentes pontos de vista e estimular reflexões e debates.

#futebolemusica