A Seleção

0
724

Vai Rildo, não Amarildo?
Vão Pelé e, que bom Mané,
O menino gaúcho Alcino
e nosso veterano Dino,
Altair, rima de Odair,
ecoando na ponta: Ivair,
e na quadra do gol: Valdir.
Fábio, o que não poder faltar,
e também não pode Gilmar.
como, entre os santos dos santos,
o patriarca Djalma Santos,
sem esquecer o Djalma Dias
e entre mil e uma noites, Dias.
Mas se a Comissão não se zanga,
quero ver, em Everton, Manga.
É canhoto, e daí? Fefeu,
quando chuta, nunca perdeu.
A chance que lhe foi roubada,
desta vez a tenha Parada.
Paraná, invicto guerreiro
para guerrear como aqui, lá.
Olhando pro chão, Jairzinho
e como joga legalzinho.
Não abro mão de Nado e Zito,
nem fique o Brito por não-dito.
Ditão, é claro, por que não?
E o mineiríssimo Tostão,
O grande Silva, corintiana
glória e mais o áspero Fontana,
Dudu, Edu… e vou juntando
bons nomes ao nome de Orlando,
para chegar até Bellini
em cujas mãos ataca tine.
Célio, Servílio: suaves eles
já completados por Fidelis.
Edson, Denílson, Murilo,
cada um com seu próprio estilo.
Um lugar para Paulo Henrique
enquanto digo a Flávio: fique!
Com Paulo Borges bem na ponta
Eu conto, e sei que você conta.
Na lateral, Carlos Alberto
estou certo que vai dar certo.
Acham tampinha Ubirajara?
Valor na se mede por vara.
Até parece de encomenda:
Leônidas, nome que é legenda.
E se Gérson do Botafogo
Entra em campo, ganha jogo.
Não podia esquecer o Lima
e o seu chute de muita estima.
Com tudo isso e mais Rinaldo
e o canarinho de Ziraldo,
quarenta e seis, se conto bem
– um time igual eu nunca vi
em Europa, França e Belém –
que barbada seria o Tri,
hein.

Carlos Drummond de Andrade

#futebolepoesia