Mais sorte que juízo

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O Palmeiras teve mais sorte que juízo na última rodada do Brasileirão 2014, o que também aconteceu em todo o campeonato brasileiro e vem se repetindo nos últimos anos. Prova disso é que a sensação de alívio não veio com o apito final, com o time se livrando de um rebaixamento com suas próprias forças; restavam alguns minutos da partida entre Vitória x Santos, cujo resultado acabaria por selar o destino do Alviverde. Tivesse ocorrido um gol do Vitória e não do Santos, o palmeirense estaria chorando o terceiro rebaixamento em 12 anos.
Sorte
O ponto é que fosse qual fosse o resultado de hoje, o Palmeiras já estaria derrotado. Manteve-se na Série A, mas se não acontecer uma mudança (grande), o clube vai continuar colhendo insucessos. Maior vencedor de títulos nacionais, o Verdão parece ter parado no tempo, vê seus rivais avançando em todas as áreas nas últimas décadas e não esboça reação. O novo estádio é um alento.

Se um diagnóstico precisasse apontar apenas um motivo para a situação, certamente seria a falta de ambição, de vontade de assumir o protagonismo. É sintomático que o craque do time seja Valdívia, meia clássico, habilidoso como poucos que atuam no futebol brasileiro atual, mas que brilha muito menos do que poderia. Acometido por sequências intermináveis de contusões, somadas a convocações para defender o Chile e confusões de todos os tipos, o craque chileno entra em campo muito menos do que deveria e fica de fora em grande parte dos jogos importantes. Parece contentar-se com alguns elogios e um belo salário, o que o impediu de brilhar na Europa e de conquistar o citado protagonismo no futebol brasileiro. Bola ele tem!

Nesses últimos anos, o Alviverde paulista tem convivido mais com os fracassos que com as glórias com as quais se acostumou ao longo de boa parte dos 100 anos de sua trajetória. O palmeirense que tem em torno de 40 anos, tem nostalgia de algo que quase não viveu. Com a óbvia exceção dos “anos Parmalat”, em que a fartura de craques vestiu verde, o restante desse período é de expectativas frustradas. Foam vários títulos e classificações que ficaram no “quase”, rebaixamentos, campanhas pífias e uns poucos títulos. É pouco!

A reabertura do estádio traz boas perspectivas nos aspectos financeiro e esportivo. Usando os conceitos de Maquiavel, com a fortuna (a boa sorte) brindando o clube com o não rebaixamento, que 2015 seja o ano da virtú (determinação e capacidade de trabalho).
TrabalhoPesado
p.s.: como a bola foi maltratada no Allianz Parque na tarde de hoje. Aliás, com as óbvias exceções do Cruzeiro, do São Paulo e de alguns momentos de Grêmio, Inter e Corinthians, o Campeonato Brasileiro 2014 foi de um nível técnico baixíssimo.