Flamengo x Atlético-MG – Libertadores de 81

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No gramado diferente, cheio de desenhos, do bonito estádio Serra Dourada, em Goiânia, estavam em campo Zico, Reinaldo, Toninho Cerezo, Júnior, Éder, Adílio, Andrade, Palhinha, Mozer, Vaguinho, Chicão, Tita, Leandro, Luizinho (zagueiro da seleção de 82), João Leite, Raul, Nunes e coadjuvantes de grande qualidade. A partida estava sendo realizada em campo neutro, com o estádio lotado, para desempatar a disputa entre os dois times e definir quem seguiria adiante na Libertadores de 1981.

Quem chamou toda a atenção no entanto foi o árbitro do jogo, José Roberto Wright.

Tudo transcorria normalmente, jogo disputado, mas de forma leal. No começo da transmissão de Luciano do Valle, os comentários chegam a ser de que os jogadores do Flamengo estariam um pouco mais nervosos que o necessário. Aos 33 minutos do primeiro tempo o juiz expulsa Reinaldo por uma falta forte em Zico. Ao contrário do que diz parte da torcida do Flamengo, talvez acometida pela “síndrome de Chico Lang”, a falta não foi por trás e justificaria apenas um cartão amarelo. O “comentarista” Telê Santana, forte defensor das punições para o jogo violento, pensa da mesma forma, como mostra o vídeo. Poucos instantes depois, um esbarrão de Éder no juiz e… novo cartão vermelho para o Atlético-MG.

Vencer o melhor time que o Flamengo já montou ao longo de sua história não era tarefa fácil pra ninguém. Com dois jogadores a menos seria praticamente impossível. Nesse instante instaura-se o circo, com o campo invadido por dirigentes do time mineiro, imprensa, jogadores reservas e os famosos “populares”. Nesse vuco-vuco Chicão, Palhinha e todo o banco de reservas do Atlético-MG também acabaram expulsos. Seriam sete contra 11?

Pois incrivelmente a partida foi reiniciada, com 11 pelo Flamengo e sete do lado mineiro. Por algum motivo obscuro dessa noite de horrores o juiz mandou o jogo prosseguir mesmo quando o goleiro João Leite, do Galo, caiu no gramado e nada aconteceu quando Mozer, do Flamengo, fez uma falta violenta (e nem amarelo levou). Para completar a “noite de glória”, José Roberto Wright tirou os médicos do Galo de campo, mas João Leite permaneceu caído até que… ele finalmente expulsou mais um jogador do time mineiro e o jogo acabou.

Em 81, com 11 anos, sem ser torcedor de nenhum dos dois times envolvidos, mas apaixonado por futebol e admirador das duas equipes, fiquei muito surpreso e confuso. Agora, revendo o vídeo e os acontecimentos, o sentimento é de revolta, mesmo mais de 30 anos depois do ocorrido. Lamentável!

Um fato curioso que pode ser observado no vídeo são os vários chamados de Luciano do Valle para os comentários de Gérson, o Canhotinha de Ouro, que, por algum motivo não responde.