O jornalismo esportivo, os números e as eleições

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No jornalismo esportivo, cresce a cada ano a tendência de quantificar as coisas. Com a sequência relativamente estável dos campeonatos, surge o interesse em realizar comparações e isso fica mais fácil com os números. Eles não contam toda a história de uma partida ou campeonato, mas podem ajudar a entender algumas coisas.

Ao término de uma partida, o tempo de posse de bola de cada equipe, o número de chutes a gol, os passes errados, ajudam a explicar o resultado, mas não substituem uma análise qualitativa, que observe o tipo de passe, a proposta tática e que considere também, o imponderável, sempre presente nos campos de futebol.
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Todo torcedor curte essa numeralha toda. Quem é o maior artilheiro de todos os tempos? Pelé, com 1283 gols, ainda que, com critérios variados, também se fale em Friedenreich, o tcheco Jozef Bican, Romário e Puskas. Qual o jogador que mais vezes vestiu a camisa de um mesmo time? Rogério Ceni, com 1173 partidas pelo Tricolor paulista. O maior tabu, a maior invencibilidade, o tempo mais longo sem tomar gol… tudo é motivo para comparação. Os jornalistas esportivos adoram fazer matérias assim e os torcedores deliram com os recordes.

No entanto, os exageros começaram a tomar espaço importante da crônica esportiva e surgem estatísticas do tipo “o maior artilheiro do time A, cujo tipo sanguíneo fosse O negativo”; “o jogador que mais marcou gols em partidas disputadas quartas-feiras, em estádios que começam com a letra C”; “o goleiro que menos tomou gols de jogadores cujo nome começa com R” e por aí vai.

Há que ter algum tipo de capacidade de análise crítica para separar o que interessa e o que é só curtição pra torcedores mais fanáticos.

Com as eleições que se aproximam o cenário é o mesmo. Somos bombardeados com denúncias, estatísticas, números virados do avesso e até mesmo com algumas propostas dos candidatos. Além do óbvio cuidado de separar as fontes confiáveis das manipuladas, algo fundamental é comparar propostas e o conjunto de ideias e valores que cada partido apresenta. Comparar resultados e índices pode ajudar a entender o que cada um dos partidos já fez e, logo, o que podemos imaginar que fará em um novo governo.

Aqui também cabe o trabalho de identificar e separar o que importa mais do que é mais acessório. Taxa de desemprego, valor do salário mínimo em dólar, taxa de juros, investimentos realizados em educação e saúde, criação de novas universidades e escolas técnicas, crescimento econômico, IDH, comércio exterior, são muitos os índices, mas vale a pena comparar o que fizeram no passado recente os governos do PSDB (1995-2002) e do PT (2003 até agora).
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Não acredite em tudo que lê, escolha fontes confiáveis, observe com calma, compare e escolha. Disso depende seu voto no domingo e os nossos próximos quatro anos.

A charge com os candidatos é de Mário e foi publicada no jornal Tribuna de Minas.

1 COMENTÁRIO

  1. É isso mesmo! Temos que parar de ficar repetindo frases prontas, aprender a comparar os governos, buscar informações, reconhecer quando os políticos de nosso partido erraram, o que conseguiram, se há outros que conseguiram mais etc. Votar de forma consciente, sabendo que há muito o que se fazer ainda.

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