Não sintam pena de nós

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“Hoje somos vistos como os paladinos da justiça, mas, se, no frigir dos ovos, dermos com os burros n’água, ninguém virá nos dar as mãos. Não se engane, torcedor, luso ou não. Estamos sozinhos nessa. Se vencermos, no fim, será somente por nós mesmos. Se perdermos, teremos somente a nós também.”

O trecho acima termina o texto Companheiro é Companheiro, que escrevi no dia 06 de abril, um domingo, sobre a entrada da Portuguesa na Justiça Comum por causa do vergonhoso rebaixamento via tribunal da Rua da Ajuda, ocorrido no fim do ano passado. Não é preciso voltar à vaca fria, uma vez que o caso é sabido por todos.

Naquele texto, feito quando a Lusa estava na disputa do Campeonato Paulista, eu abordei o fato de os clubes, todos eles, terem virado as costas para a Portuguesa ao fecharem um acordo nefasto com a CBF, que rezava que o clube que fosse reclamar seus direitos nos tribunais perderia a receita vinda da TV, que paga uma esmola para ter a alma e a bola do Brasil.

Todos os torcedores dos outros clubes exigiram uma posição firme por parte da Lusa, que foi até as últimas consequências e foi esmagada pela ação dos comandantes do futebol brasileiro. O resultado foi o pior ano da grandiosa história da Portuguesa de Desportos, sob as bênçãos dos doutos donos da Lei que determinaram o descenso fora das quatro linhas.

– Mas que petulância é esta deste time que teima em não dar lugar ao grandão do Rio? – teriam pensado os cartolas nos acarpetados gabinetes na Barra da Tijuca. Então está fácil! Vamos escalar os árbitros mais suscetíveis a pressões externas e colocar seus jogos nos piores horários possíveis para dificultar a ida ao estádio de torcedores já desanimados.

O restante foi consequência. Sem a certeza de que campeonato disputaria, a cooptação de patrocínio foi quase inviabilizada, o que comprometeu a temporada toda. Sem recursos, não engrenou em momento algum e, como futebol é resultado, tantos quantos foram os treinadores contratados sucumbiram.

O rebaixamento para a Série C, confirmado na última terça-feira, no revés por 3 a 0 para o Oeste, em Itápolis, foi o resultado praticamente inevitável da execução sumária promovida no fim de 2013, à qual foi submetida uma das camisas mais importantes do futebol brasileiro.

Mas não tenham pena de nós. Não precisamos da compaixão de ninguém. Somos grandes e nossa história ninguém apaga. E se você, como torcedor, não reconhece esta grandeza, nós é que sentimos pena.

Marcos Teixeira, 36, é jornalista e assessor de imprensa da Portuguesa de Desportos. Não é um jogador de futebol frustrado porque nunca soube chutar direito uma bola. Tem, como ídolos, o volante-caçador de canelas Petit e o gênio Rui Costa. E tem certeza de que o Dener jogou mais que o Messi.

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