Futebol, Religião e Política – O resultado das eleições

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Diz a sabedoria popular que “futebol, religião e política a gente não discute”. Nada mais equivocado! Com educação pode-se discutir tudo. A dificuldade tem sido respeitar a opinião do outro.

ParceriaFCSemana passada, no clássico entre Santos x Palmeiras, mais um torcedor foi morto, o 251º por motivos futebolísticos no Brasil. Nesse caso específico, uns gostarem de verde e outros de preto e branco foi motivo suficiente para que brigassem. O saldo da briga foi de um morto, quatro feridos e milhões de céticos sobre a possibilidade de isso acabar algum dia.

Essa mesma briga, no futebol, acontece periodicamente entre tricolores e rubro-negros, celestes e alviverdes, rubro-verdes e alvirrubros e todos entre si. Não se trata de defender se foi ou não pênalti, se a bola passou ou não a linha do gol, se o jogador estava ou não em impedimento, mas de questionar, negar e renegar a escolha do outro, a opção do outro.

Nos últimos meses, também na política isso voltou à tona. Depois da Copa do Mundo, vivemos um período de campanha política para a escolha de novos governadores, deputados estaduais, federais, senadores e presidente. Na prática, foi a primeira eleição em que as redes sociais tiveram um papel relevante na disputa. E infelizmente o que se viu entre azuis e vermelhos foi o mesmo que se vê nas arquibancadas e arredores dos estádios: intolerância, preconceito e ódio.

Natural que as pessoas tenham suas preferências e escolhas e que sejam diferentes umas das outras; pois que defenda seu candidato, que questione as propostas, os feitos e os procedimentos do outro candidato ou partido político, que defina seus critérios para a escolha de um lado ou de outro. Que o debate seja feito com alguma ironia, com firmeza, até mesmo com alguma rispidez, é compreensível, faz parte do jogo democrático e das emoções e o fervor envolvidos. O que deveria ser claro para todos é que não existe o voto certo e o voto errado, existem interesses, prioridades e valores distintos.

O que entristece, decepciona, frustra até, é o discurso de ódio. Em meio ao “pega-pra-capar” que foi essa campanha, vi amigos e pessoas por quem sempre tive a mais alta consideração dizendo que os eleitores do outro candidato “tem m… na cabeça”, “são todos vagabundos”, “são todos bandidos” e “não tem cérebro”, dentre outras pérolas. Pessoalmente, me mandaram pra outro país, quiseram me indicar psiquiatra, me mandaram acordar pra vida… Vi pior, gente querendo separar o país em dois e dizendo que vai mandar embora seus funcionários que tenham votado no outro candidato. Que se ataque o “pecado” de não pensar igual a si mesmo, mas que se poupe o “pecador”.

Um campeonato vale muito, mesmo que o vencedor não seja o seu time; e é lamentável quando alguém acha que democracia só é boa quando seu candidato vence.

Qualquer mudança tem que começar, necessariamente, por nós mesmos.
FazendoPais