Blog Action Day 2014 – Desigualdade

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O futebol é injusto! Ao contrário do que alguém possa imaginar, não estamos nos referindo a um time que joga melhor e perde a partida ou aos eventuais gols irregulares que modificam resultados. O foco aqui é a condição de disputa.

Dados relativos a temporada 2012/2013 mostram o faturamento dos maiores clubes do mundo(1):

1º Real Madrid (ESP) – 519 milhões de euros;
2º Barcelona (ESP) – 482 milhões de euros;
3º Bayern de Munique (ALE) – 431 milhões de euros;
4º Manchester United (ING) – 424 milhões de euros;
5º Paris Saint Germain (FRA) – 399 milhões de euros;

No Brasil(2), em 2013, desconsiderando a transferência de atletas, por tratar-se de uma receita efêmera, tivemos:

1º Flamengo – R$ 273 milhões;
2º Corinthians – R$ 247 milhões;
3º São Paulo – R$ 217 milhões;
4º Palmeiras – R$ 175 milhões;
5º Grêmio – R$ 166 milhões;

Na outra ponta é impossível montar qualquer tipo de ranking, já que há milhares de clubes pelo mundo que simplesmente não tem faturamento algum. Como competir?

Alguém então pode (equivocadamente) dizer que “o futebol é apenas uma diversão e não compromete a vida de ninguém”, sem se dar conta de que também se trata de um grande negócio, que movimenta dinheiro e a vida de milhões de pessoas pelo mundo.

O problema é que o “resto do mundo” também é um lugar injusto! Dados divulgados esse ano pela OXFAM (Oxford Committee for Famine Relief – Comitê de Oxford de Combate à Fome) revelam que 50% da riqueza mundial está nas mãos de 1% da população(3). Dizendo de outra forma, as 85 maiores fortunas do mundo equivalem aos valores de 3,5 bilhões de pessoas. Tem quem ache normal e chame de meritocracia, mesmo com as condições completamente desiguais de “competição”.
Inequality
No Brasil, apesar de todos os avanços ocorridos nos últimos 20 anos, “O contingente de 1% dos brasileiros mais ricos ainda ganha quase cem vezes mais que os 10% mais pobres”, segundo matéria da BBC Brasil(4).

No futebol começam a surgir regras chamadas de “fair play” (jogo limpo) financeiro, que buscam resgatar algum tipo de “equilíbrio” ou estabelecer condições um pouco mais justas de disputa. Na Europa(5) já há algumas regras sendo implementadas desde 2011 e no Brasil, o Bom Senso F.C., surgindo no ano passado, também defende a implantação de mecanismos econômicos com o mesmo objetivo.

Fora do mundo da bola é o programa bolsa família que lidera a redução da concentração de renda no Brasil. O país tem sido elogiado no mundo todo, inclusive pela ONU – Organização das Nações Unidas(6), pelos resultados obtidos. No entanto, o desconhecimento sobre seu funcionamento ainda gera muitas críticas e preconceitos pelo país. Uma ótima matéria, capaz de esclarecer muitas questões sobre o programa, foi publicada há quase um ano: “Preconceito contra Bolsa Família é fruto da imensa cultura do desprezo”, diz pesquisadora.
Pecadores
Ainda é grande a quantidade de pessoas que atribui a situação dos menos favorecidos a… eles mesmos?!

Todos nós podemos (e devemos) contribuir para a redução da desigualdade. É longo o caminho a ser percorrido e você também pode ajudar a desmistificar essa questão. Vale o esforço; pesquise e ajude a divulgar as informações corretas.

(1) http://exame.abril.com.br/negocios/noticias/real-madrid-e-o-clube-com-maior-faturamento-do-mundo
(2) http://futebolbusiness.com.br/2014/05/financas-do-futebol-brasileiro-2013/
(3) http://blogs.estadao.com.br/jamil-chade/2014/01/20/1-da-humanidade-controla-50-do-pib-mundial/
(4) http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/09/140918_desigualdade_ibge_brasil_pnad_rb
(5) http://pt.uefa.com/community/news/newsid=2065454.html
(6) http://www.dw.de/onu-elogia-brasil-por-bolsa-fam%C3%ADlia-e-cotas-nas-universidades/a-17806890?maca=bra-uol-all-1387-xml-uol

#BAD2014 #Inequality