Patrícia, a pseudotorcedora

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Patrícia, a pseudotorcedora – Por Tiago Alves da Silva

É incrível acreditar, que em pleno século XXI, ainda existam casos de racismo, principalmente no futebol, onde muitos ídolos nacionais são negros. Isso não é uma exclusividade do futebol europeu. Nosso país, praticamente construído com o suor de muitos negros, sujeitados a condições desumanas, parece que se envergonha do povo que derramou seu próprio sangue para torná-lo o Brasil de hoje.

Jogadores negros têm sofrido por muito tempo xingamentos racistas, sem que algo fosse feito para conter esse mal. Considera-se normal, o que é um absurdo, um jogador de tom de pele mais escura ser comparado a macacos,e ouvir ofensas quanto a sua condição racial nos estádios europeus. E quando isso acontece num país com maioria de descendentes negros, e entre compatriotas?

No nosso Código Penal, existem dois artigos que preveem punição contra o racismo. Na verdade, existem dois artigos diferentes em que o sujeito pode ser enquadrado, como injúria racial ou como racismo. Mas como diferenciar uma situação em que o respeito e os sentimentos da pessoa são jogados no lixo? Pra variar, mais uma vez dependemos de leis confusas e que nunca são cumpridas.

Assim como Patrícia, várias pessoas se denominam torcedores. Ainda mais na época em que selfies nos estádios estão na moda. Porém, esse mesmo “torcedor” que declara todo o seu amor e devoção na legenda de sua selfie postada nas redes sociais, adora ir ao estádio cometer esse tipo de atrocidade, violência e estupidez. Torcedor mesmo, é aquele que incentiva, aplaude e mesmo em situações difíceis, está ao lado do seu clube do coração.

Patrícia, que se denomina apaixonada pelo clube, mal conhece a história deste. Será que é do seu conhecimento que o hino do Grêmio, um dos mais belos já compostos, é autoria de Lupicínio Rodrigues, um dos grandes compositores da música brasileira, e negro? Será que Patrícia sabe que a estrela amarela, a única presente na bandeira do Grêmio, é uma homenagem a Everaldo, único jogador gremista a integrar a Seleção do Tri em 1970 no México, e negro? E será que Patrícia realmente pode ser considerada torcedora do Grêmio?
Lupicinio
Como gaúcho, senti-me envergonhado pela atitude desta pessoa, com uma mentalidade retrógrada, e que acredita viver em uma sociedade de meados do século XVI. Cabe à justiça decidir se as ofensas devem continuar pelos gramados brasileiros afora, ou se já chegamos ao limite da racionalidade humana.

Tiago Alves da Silva – Estudante de jornalismo, gaúcho e indignado como racismo.

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