Somos todos um time

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Somos todos um time – Por Maestro Renato Zanuto

Os esportes coletivos como futebol nos mostram claramente a importância do trabalho em equipe. Se o técnico “desafinar” ao escalar a sua equipe de zagueiros, por exemplo, pode comprometer os resultados, por mais que tenha um ou outro membro do time brilhante.

Vimos na prática o que aconteceu com a seleção de Portugal na Copa do Mundo, por exemplo. Apesar de contarem com o melhor jogador do mundo, Cristiano Ronaldo, foram eliminados. O mesmo vimos com Itália e Inglaterra, eliminadas pela Costa Rica, sem tradição no esporte, mas que atuou até o final unido dentro de um único objetivo: ir o mais longe possível em uma Copa do Mundo.

E é claro, vimos com muita tristeza o que aconteceu com a nossa seleção contra a Alemanha. Quem poderia imaginar um 7 x 1? Somos o país do futebol, exportador de muitos craques, mas parece que nos esquecemos que o futebol, como disse anteriormente, é um esporte coletivo, vence o melhor time. O que assistimos foi um grupo de jogadores desorganizados. Jogadores talentosos, que valem milhões, mas jogando assustados. Me atrevo a dizer que nos faltou, acima de tudo, comando e preparo emocional.

Atuar como uma equipe, com objetivos comuns, respeitando o talento individual de cada um, pode ser encarado como o segredo do sucesso, não só de uma equipe esportiva, mas de uma orquestra, de uma empresa, de qualquer trabalho que não dependa do talento individual, mas do coletivo.

Traçando um comparativo: como maestro me cerco dos melhores músicos, para que o trabalho final da orquestra, o concerto, atinja o coração do público. Para isso conto com músicos de diversos instrumentos, cantores com os timbres mais variados. É natural que você tenha músicos que se destacam um pouco mais devido o carisma, ou o talento acima da média, mas esse músico sabe que só atingirá o sucesso se tiver o apoio dos demais colegas. Como maestro, líder dessa equipe, preciso reconhecer esses talentos e fazer com que eles trabalhem em harmonia, para que o resultado final seja o melhor concerto que aquela plateia já ouviu. Para alcançar o sucesso em algo que dependa do coletivo, não podem haver egos e vaidades, o grupo é mais importante do que o individual.

Já pensou se no dia da grande apresentação um instrumentista amanhecer mal? Como maestro terei que lidar com essa adversidade e buscar opções, tomar decisões e assumir as consequências.

O técnico de futebol é o maestro da equipe, ele vai reconhecer os talentos individuais e fazer com que trabalhem em harmonia. O Brasil conta com o talento de um jogador excepcional como o Neymar, mas não tendo como escalá-lo, era preciso mexer as peças para que o coletivo tivesse a motivação necessária para superar a perda de um grande craque. Não são todas as equipes de futebol que possuem jogadores excepcionais, mas isso não as impede de vencer. Dar atenção apenas ao craque, pode fazer com que o restante da equipe não tenha forças, ânimo, nem condições para dar o seu melhor. O que assistimos ontem foram jogadores desequilibrados emocionalmente, que se perderam após tomar o primeiro gol e não conseguiram dar a volta por cima.

Ressaltar apenas a estrela do time é um perigo que pode levar ao fracasso pois você desmotiva os demais e, quando a estrela falta, eles não se sentirão na obrigação de alcançar as metas traçadas, já que agora terão uma desculpa para justificar a derrota.

Outro erro que não se deve cometer é deixar os resultados todos nas costas daquele profissional que nitidamente é o mais talentoso: a pressão e o medo de não errar, podem paralisá-lo, no caso de ontem paralisou um time inteiro.

Se é errando que se aprende, que o erro de ontem nos ensine não só sobre o futebol. Para vencer é preciso preparo, técnica, estudo, disciplina, talento e equilíbrio emocional.

Maestro Renato Zanuto é estudioso da Composição e Regência pela FAAM, especializado em Música Popular em Cuba. Mestre em Gestão de Negócios pela Universidade Paulista com ênfase em Estratégia. Ministra a palestra “Acorde – O Espetáculo da Excelência” onde fala sobre a correlação entre a organização de uma orquestra com as empresas.

#somostodosumtime

Agradecimentos especiais para Adriana Franco – Souza Franco Comunicação

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