Imagina depois da Copa!?

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Meu coração quer me matar.

Hoje não tem Copa, ontem também não teve. Meu fígado agradece a calmaria, minha cabeça simplesmente queria ter apagado depois de Bélgica e Estados Unidos para acordar amanhã, 12h56. Por outro lado, a pausa só faz aumentar a expectativa para o jogo da seleção: por que não chega logo!?

Enquanto isso, uma das coisas mais incríveis da Copa é o poder de trazer para o futebol aquele que normalmente não sabe nem onde fica o impedimento. Vejo por vezes pessoas que nunca pensaram sobre o jogo comentando lances, partidas, enfim, se fascinando pela coisa. As reflexões são de uma ingenuidade deliciosa, como daquelas frases de criança pequena que a princípio não são nada, mas ao pensarmos uma segunda vez percebemos a sutileza genial por trás daquele pensamento despretensioso. Como Drummond, que disse “Confesso que o futebol me aturde, porque não sei chegar até o seu mistério” mas escreveu uma das maiores crônicas sobre futebol que já se viu, Mistério da Bola (na qual inclusive encontra-se a frase citada), estes nossos amigos aventureiros, que entram neste vasto mundo simbólico que é o futebol pela primeira, segunda ou no máximo terceira vez, muitas vezes não compreendem direito ele todo, mas por serem menos envolvidos conseguem enxergar além de muitos dos entendidos no assunto.

Curioso é ver como os Estados Unidos, que por anos batalharam com os soviéticos pelo pódio em todos os esportes possíveis, pela primeira vez mostram uma verdadeira mobilização popular pelo futebol, mas mesmo assim, sem entendê-lo. Uma das matérias mais interessantes sobre o assunto saiu no Uol Esportes, que mostrava dez tuítes ilustrando como os estadunidenses ainda não entendem a peleja. O mais emblemático é de um sujeito que diz “Na última partida empatamos e parecia uma derrota. Hoje [após o jogo contra a Alemanha] perdemos e parece que ganhamos. Futebol é muito confuso”. Ora, como explicar para eles, acostumados com seus esportes mega competitivos e vidas no american way, o que é um empate? Um resultado em que ninguém ganhou nem perdeu? De que adianta isso!? O país mais rico do mundo pode até ter o dinheiro para investir, mas vai precisar de muito, muito tempo se quiser um dia, talvez, tornar-se grande no futebol. Pode ser que mudar o nome de soccer para futebol, em português mesmo, seja uma boa.

O consolo para nós que sofreremos com o final desta que vem sendo uma das maiores copas de todos os tempos é que ela ainda, ainda não acabou e pode – tomara – ter coisa melhor por vir. Esse campeonato é de uma crueldade inacreditável que nem quem foi vítima – Argélia, Irã, México e outros que o digam -, nem quem foi beneficiado por essa maldade consegue descrevê-la com palavras. Aliás, acredito que nem mesmo aqueles que nada tem a ver com essas partidas conseguirão (vou perguntar para esses amigos meus que nunca haviam pintado no assunto, quem sabe eles me ajudam). Já escrevi antes que quem inventou a disputa de pênaltis era torturador ou pior. Pois bem, acho que daqui em diante a Fifa devia (já que presa pelo bem estar dos aficionados por futebol) exigir exames médicos não só dos atletas, mas dos torcedores todos. Com certeza quatro anos é tempo suficiente para organizar um mutirão médico, com exames cardiológicos e psíquicos. Seríamos divididos em categorias: os “fase de grupos” seriam aqueles que já castigaram demais seu coração; “mata-mata”, provavelmente a maioria, seria composto por nós que até aguentamos 90 minutos, mas depois…; “prorrogação” é a categoria para aqueles que se cuidam, tem uma saúde de boa para melhor; “gol de ouro” seria para aqueles de coração fortíssimo. Adiciono ainda uma última, a categoria “penalidades máximas”, na qual certamente só se encaixariam bebês menores de três anos, papagaios e peixes de aquário. Não preciso nem dizer o quão perto de morrer chegamos eu, você e todos que torcemos pelo Brasil na última partida. Com certeza a medida salvaria mais vidas que a saúde pública dos Estados Unidos.

O que mais, mais e mais me afligi enquanto escrevo (e agora afligirá também você, enquanto lê) é que a cada letra, espaço ou vírgula que passa o fim da Copa se aproxima. Como eu, pobre mortal, poderei viver depois do dia 13 de Julho de 2014, me alimentando das caneladas do campeonato brasileiro? Como ligar a televisão? Como ter forças para acordar de manhã?! É como ir ao melhor restaurante e ter o melhor jantar do mundo; quando acabar você voltará para sua vida medíocre de salgado requentado nas tardes e macarrão pré pronto no jantar. Os Maias já sabiam, afinal eles já batiam bola lá atrás, só erraram a data: o fim do mundo, caros amigos, não era pra ser no dia 12/12/2012, mas será na passagem do dia 13 para o dia 14 de Julho, com chance de adiamento para o dia 15 caso o Brasil seja campeão e a festa vire a noite.

Se o mundo vai realmente acabar, claro que não, mas ele devia. Ou pelo menos parar de girar por quatro anos. Ora, é muita falta de respeito acontecer a Copa das copas aqui e de repente acabar tudo, cada um volta pro seu canto e fingimos que está tudo certo… Tudo certo nada! Proponho desde já um acampamento de hibernação entre Copas onde todos que quiserem chegarão, tomarão uma injeção e pronto, dormiremos por quatro anos e um pouco antes da Copa acordaremos, só para comprar os ingressos.

Voa canarinho, voa! Fica Copa, fica!

 

#centraldofutebol #Copa2014

Tarja_Joao