A Seleção Brasileira e a Sagrada Família

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Barcelona – Especial para o Blog Futebol-Arte

A seleção brasileira foi atropelada na reta final da Copa do Mundo 2014. Atropelado foi como morreu Antoni Gaudí, famoso arquiteto catalão, ìcone da arquitetura mundial, um verdadeiro artista cuja obra-prima é o ainda inacabado Templo Expiatório da Sagrada Família.

Nesta sexta-feira, em frente a Sagrada Família, tive a oportunidade de conhecer pessoalmente parentes que só conhecia por histórias contadas por meus avós, minha mãe e meus tios. Agustinet, acompanhado por sua esposa, levou um álbum de fotos antigas com muitos registros e objetos pessoais do meu Yayo (avô em catalão). A emoção foi grande.
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Da esquerda para a direita: Ângela, minha Ceci, eu, Agustinet e Edi

Sábado, horas antes da partida Brasil x Holanda, na disputa pelo terceiro lugar, fomos encontrar parentes do Tio Miguel, que tão carinhosamente nos hospeda em sua casa. Esses já eram antigos conhecidos, de quando moraram no Brasil, mais de 20 anos atrás. Tia Carmem, Paduri Alberto, Pilarim e Hélcio nos receberam com muito carinho, mesa farta (aliás, como comem – e bem – os catalães!) e boa conversa sobre o Barça, o Brasil e a Catalunha.
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Da esquerda para a direita: Tia Carmem, Alberto, Hélcio, Tia Teresa, Ceci, Edi, eu e Tio Miguel

——————–Interrupção para uma breve história antiga que ouvi por aí——————–

O pai torcia por um determinado TIME. O filho pequeno estava naquela fase decisiva para definir seu próprio time; a princípio, o mesmo que o do pai. Eis que o TIME é goleado e o filho, ainda titubeante, e provavelmente envergonhado diante de amiguinhos da escola e provavelmente “acossado” por tios torcedores dos rivais, diz ao pai que não quer mais torcer para o TIME.

O pai chama o filho para perto de si, com aquele ar solene que a situação exige e diz:

– Você ama sua mãe, seus avós, tios… sua família?
– Amo muito! – responde enfaticamente o menino.
– E se algum deles ficar doente, você ainda os amará?, segue o pai.
– Sim, ainda mais, porque vou cuidar deles – não hesita o filho.
– Pois então meu filho, com o time para o qual torcemos também funciona assim!

É mais do que suficiente para que o garoto entenda tudo e, definitivamente, abrace as mesmas cores que o pai.

——————–Fim da Interrupção——————–

O sofrimento com a nova derrota, em outra fraca apresentação, da nova “família Scolari”, foi aplacado com tantos encontros, emoções e reflexões. A seleção está doente, o futebol brasileiro está doente. É sim necessário mudar muita coisa na estrutura da CBF, entre os dirigentes e nos clubes, mas… pentacampeão ou tomando goleada, sempre estarei ao lado das minhas sagradas famílias.

Vai Brasil!

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