A Escolha

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Falta muito pouco.

Definidos foram os finalistas com a catastrófica atuação da seleção brasileira e com gigante atuação do goleiro Romeiro na disputa de pênaltis. Agora resta-nos esperar, já com sintomas de pré-depressão, a chegada da disputa de terceiro lugar e da grande final.

Há que se parar para refletir sobre a entrevista de Luís Felipe Scolari e Parreira (dizem que a comissão toda estava presente, mas se alguém ouviu pelo rádio nem notou a presença dos outros cinco integrantes). O mundo onde eles parecem viver é completamente surreal. Felipão estava claramente abalado, Parreira, exaltado. O campeão do tetra atropelava o pentacampeão a todo momento e o mais estranho é que este segundo mal esboçava reação. Explicações sobre o futebol em campo ninguém conseguiu dar. O cronograma de treinamentos ali estampado não quer dizer absolutamente nada. Um show de contradições, elogios sem cabimento, críticas sem pé nem cabeça que culminaram no mais absurdo dos momentos, a carta de dona Lúcia. Uma defesa pura do trabalho que eles acreditaram estar certo o tempo todo – e ainda acreditam, pois para eles o 7 a 1 foi mera casualidade. Chega o momento da seleção escolher seu treinador. Poderemos continuar com estes, todos premiados, todos atrasados. Por outro lado, está difícil encontrar treinadores atualizados em nosso futebol, estamos em uma crise de comando! E mesmo os que são atualizados, ou seja, jogam um futebol moderno (caso de Tite, por exemplo), estão longe de serem capazes de recuperar o futebol brasileiro.

Este futebol que vem sendo destruído há anos pelos dirigentes da CBF. Certo é que a culpa da catástrofe do Mineirão é de Felipão e comissão técnica principalmente, pois estes tiveram carta branca, condições de treinamento perfeitas, mas o trabalho realizado foi pífio e não a toa sucumbimos para a primeira grande força que enfrentamos. Mas a tragédia que é o futebol brasileiro atual, entendendo este no seu plano mais abrangente, é culpa de Marin e antes dele de Ricardo Teixeira e antes dele de João Havelange. “Ah, mas antes nós ganhávamos!”. Claro, antes ensinávamos futebol ao mundo, mas mesmo assim não cuidávamos dele. A diferença é que ninguém cuidava. Agora os alemães, que de anos para cá desenvolvem um projeto exemplar com centros de formação de atletas, de profissionais, de futebol em geral, cuidam do futebol deles, nós também precisamos aprender a cuidar do que é nosso. Apesar de esta escolha não ser de nosso poder, precisamos lutar para que este grupo cancerígeno de cartolas que ameaça matar nosso futebol saia o mais rápido possível do poder. Com eles dificilmente teremos reformulação, com eles dificilmente teremos investimento na formação, qualidade no campeonato, dificilmente veremos outro dia o que antes se chamou de futebol brasileiro.

É assim que chegará em Brasília nossa seleção. Van Gaal, técnico da Holanda, já deixou claro seu desprezo total pela disputa do bronze, mas mesmo assim não acredito em jogo fácil, futebol dificilmente permite dessas coisas (e quando permite não é porque alguém deixou ser vencido, mas é como aconteceu entre Brasil e Alemanha). Os jogadores brasileiros entrarão em campo para tentar restaurar o pouco de dignidade que lhes resta. David Luiz sem dúvidas não merecia estar onde está, que dizer então de Neymar? Os onze atletas que disputarem esta partida contra o selecionado holandês devem ter em mente que o dano causado não pode ser reparado, ao menos não de imediato, mas as cores verde e amarela devem ser respeitadas sempre. Que entrem não para disputar uma medalha (até porque Marin provavelmente a roubará), mas entrem para representar as cores canarinho, o nosso manto dourado que outrora já foi o maior e, não tenho dúvida, quer ser novamente.

Agora, alemães e argentinos à parte, a torcida brasileira terá que fazer sua escolha, não para sábado, mas para a final de domingo. Não é, no entanto, uma escolha fácil. Os mais bairristas torcerão não só pela derrota, mas pela humilhação da seleção argentina. Realmente, se forem campeões, o Maracanã será solo sagrado para uruguaios e também para argentinos, nossos maiores rivais, mas nunca para nós que o consagramos como templo do futebol. Pensando por outro lado, a vitória hermana manteria o tabu, uma seleção europeia jamais foi campeã em solo americano. Entretanto, a Alemanha é a melhor equipe desta Copa ou pelo menos a que mostrou o melhor futebol. Um futebol que pode se considerar muito próximo até do que já chamamos de brasileiro, apesar de faltarem aos germânicos um pouco do que Neymar, Gaúcho, Garrincha e tantos outros tem de sobra por aqui. Ainda assim a vitória da Argentina não seria só deles, mas significaria também uma vitória da América Latina sobre a Europa, algo que no mundo normal não se vê todo dia, mas que o futebol adora proporcionar.

Separo ainda uma terceira opção para domingo, uma que poucos escolherão por ser extremamente difícil de ser mantida durante 90 minutos: a escolha de torcer pelo futebol. Inevitavelmente numa partida ocorrem lances bonitos e feios, faltas desleais e atuações de gala. Numa partida ruim, por exemplo, escolher um lado pode ser o único jeito de assistir a peleja inteira. Também existe uma espécie de complexo de Davi e Golias que nos faz adorar torcer para o mais fraco vencer o mais forte. Por essas e muitas outras razões acabamos por escolher um lado para torcer. Num campeonato inteiro então é quase certo que por um motivo qualquer acabemos por simpatizar com uma equipe. Por isso torcer simplesmente pelo futebol sem rivalizar, sem tomar lado, é difícil. Mas a opção está colocada e cabe a todos que assistirmos à grandíssima final de uma das maiores copas da história do futebol escolher.

Parabéns Alemanha e Argentina.

Ao nosso canarinho, que se recupere o mais rápido possível, assinado, Brasil.

#centraldofutebol #Copa2014
Tarja_Joao