Imagina na… opa, já é Copa

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Que Copa é essa?!

Primeiramente em campo o futebol supera a promessa de ser bom. O futebol apresentado até agora realmente faz dessa a melhor das Copas desde 82, se não antes! São muitas viradas, uma média de gols alta para os padrões mundiais, muita emoção e grandes atuações. Talvez a maior decepção tenha sido Cristiano Ronaldo, mas convenhamos que a seleção portuguesa inteira foi pífia. Alguns dizem que na verdade são as defesas que são ruins. Discordo por uma lógica simples: sim, acontecem erros defensivos mas estes são na verdade o reflexo de uma preferência pelo ataque. Se se busca mais o gol, claro que se abrirá mais espaço atrás; quando se treina mais o ataque, deixa de trinar-se a defesa. São duas coisas limitadas (o número de jogadores e o tempo de treino) nas quais não é possível fazer-se tudo e deve-se priorizar sempre alguma coisa que, para alegria geral da nação, é o ataque.

Nas arquibancadas a festa também é linda. Ressalva importante: as vaias e xingamentos da torcida VIP. Além disso, ninguém aguenta mais ouvir a canção de ninar “sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”. Mas a paleta de cores das torcidas não é só amarela. Os mexicanos fizeram bonito ao malhar a arquibancada de verde em Manaus contra o Brasil. Não preciso nem lembrar a invasão hermana ao Rio de Janeiro, que pintou o maraca de azul e branco. O mar vermelho não fica entre África e Ásia como você pensava, mas sua água vem do Chile, tomou o Brasil e lavou a Espanha com ajuda dos holandeses. Primos de uniforme, os colombianos fizeram parecer jogo da seleção, pois tomaram as arquibancadas no jogo contra a Grécia. Os ingleses tiveram sorte de comemorar (e muito) antes do jogo contra a Itália, pois depois ficou difícil. Já os holandeses, esses sim! Imagine o que dá a combinação de uma festa de holandeses com baianos!? Os africanos, como sempre, fazem bonito com suas danças e cantos e até o shopping virou lugar para os ganeses festejarem; os argelinos, mesmo com a derrota, emocionaram na plateia; os costa-marfineses dançaram a partida inteira… Lembro ainda o que de bonito fez a torcida brasileira, que apesar de não levar jeito no negócio de empurrar o time (como lembrou Sakamoto, essa não é real a torcida brasileira), adota sempre um lado – o melhor foi no jogo da Argentina quando os hermanos eram 40 mil e os brasileiros mais bósnios o resto todo do Maracanã.

Além de bom para o comércio as grandes torcidas estrangeiras presente nos estádios derrubou uma série de vezes o hino ‘padrão Fifa’, cantando, cada um na sua língua, até o último compasso da música. Se isso os brasileiros também fazem, as bandeiras são só eles que trouxeram. Basta ver a torcida inglesa ou a argentina: ambas que entucharam todo corrimão e guarda-corpo que encontraram com flâmulas e mais flâmulas.

É curioso ver como os grandes jornais brasileiros agora só noticiam placares de jogos e vaias. Enquanto os ingleses e até o New York Times rasgam elogios a nossa Copa, estes outros que criaram a enorme expectativa de um fracasso dentro e fora de campo colocam o rabo entre as pernas. “Todas as previsões catastróficas se tornaram pequenos soluços” ou “Todas as copas deveriam ser no Brasil!” são algumas das frases que a mídia estrangeira vem dizendo sobre a Copa do Mundo aqui desde que ela começou. Os aeroportos, por exemplo, já foram elogiados mais de uma vez, conseguiram inclusive um índice de atraso nos voôs menor que a média nacional. Vale ainda lembrar a exclusiva que Maradona deu para os canais ESPN – foi de deixar Pelé no chinelo. O argentino, que é comentarista da venezuelana Telesur – que dizer de Ronaldo agora? -, falou da seleção argentina, da brasileira, rasgou elogios ao futebol e ainda citou um lance de Pelé, mostrando que, fora de campo, sua elegância é maior que a do brasileiro. Em outra entrevista, o maior jogador argentino ainda condenou como vergonhosas as vaias a presidente Dilma.

Não entenda errado: claro que tivemos problemas. Mas tivemos problemas como todas as outras Copas tiveram e como qualquer coisa feita pelo ser humano sempre terá. O curioso é ver que a maioria dos problemas agora não são noticiados (ou pelo menos não enfatizados como eram antes da Copa). Isso por um motivos claros: os culpados por estes problemas são justamente os protegidos da grande mídia corporativista brasileira e/ou estes problemas tornam-se cada vez menores tanto quando se cava a fundo sobre eles ou então tomando em conta o panorama geral que é otimista. Com o passar do tempo, os argumentos vira-lata desta parcela da mídia vão se esgotando e eles, saindo de fininho. O triste é ver que as críticas que são feitas, tanto pela mídia quanto pelas redes sociais, muitas vezes são por meio de xingamentos ou preconceitos, como o desrespeito a presidente eleita democraticamente ou aqueles que disseram que o atleta que marcou o gol contra na estreia “tinha que ser preto”. Mais sintomático ainda é ver muitas das críticas inteligentes vindo não da mídia brasileira, mas da estrangeira. Além disso, o pior de tudo foi o ponta pé inicial ao qual não se deu atenção nenhuma. Nicolelis é o Santos Dumont e seu Exoesqueleto o 14 Bis da neurociência. Ele é um gênio brasileiro que foi chutado para escanteio pelo esquema da abertura e quase não mostrado pela televisão. Tiveram ainda jornalistas que ironizaram o cientista, menosprezando tanto ele quanto seu feito. Como todo gênio, Nicolelis conseguiu responder com a elegância e a acidez perfeitas, mesmo estando limitado pelos 140 caracteres.

E a essa altura ainda vemos teóricos da conspiração pulando por todo canto! Deles vou comentar pouco pois não merecem mais que isso. Chegam a ponto de dizer que o vermelho do logo da Copa é uma mensagem subliminar do comunismo (é isso mesmo? Confesso que li três vezes e não consegui entender o raciocínio do sujeito). Bom, se existe qualquer conspiração para o Brasil vencer essa Copa algo deu errado. A Argentina tem o grupo mais fácil, a chave mais fácil e estreou o Maracanã. Isso sem contar que não avisaram Felipão nem nossos jogadores. E o que dizer do goleiro mexicano Ochoa? Ah, mas ele era o camisa 13 do México, assim como Muller, o hat-trick da Alemanha! Ah, então está tudo explicado…

Ainda é cedo para se fazer um real balanço da Copa, afinal acabamos de entrar na segunda rodada, temos ainda a terceira, as oitavas, as quartas – ih! -, as semis e – ai meu coração – a grande final. Muito ainda será falado sobre o mundial, problemas surgirão, grandes cairão, zebras correrão, viradas, surpresas, chutes, dribles, caneladas e tudo mais que temos o direito de assistir pois isso é a Copa do Mundo! Talvez a única certeza, mesmo Felipão não querendo admitir (sendo essa uma atitude para proteger o elenco ou não), é que o Brasil precisa melhorar para passar das oitavas, e nada melhor que um jogo contra Camarões para devolver-nos a confiança que foi roubada pelo tempo. Na Copa das Copas, voa canarinho, voa!

#centraldacopa #Copa2014
Tarja_Joao