Crônica: um bebê, um túnel e uma paixão nacional

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Terça-feira, 17 de junho, uma da tarde na maior cidade da América Latina. Dia do segundo jogo do Brasil na Copa.

Dormia o anjinho negro nos braços da mãe. Seu ressonar leve era cadenciado como o sono de criança deve ser.  Serena e calma no meio do caos das horas que antecediam o jogo entre o Brasil e México, ela seguia adormecida pelo escuro túnel que separa as linhas que juntas formam as cores que mais via: a verde e amarela.

Buzinas ecoam pelos recônditos do metrô paulista e a pequena segue sem nem se mexer como se aquelas buzinas fossem o cantar mimoso da mãe. O tropel de pés se avoluma como não visto antes nesse horário e as vozes alegres se elevam no ar, alcançando aos Céus as ações de graças pelo dia que terminou mais cedo.  Os sons se multiplicam e alguém até arrisca um coro que cresce e morre aos poucos, sem ao menos fazer a menina abrir as pálpebras, nem tremelicar os olhos como quem recobra a consciência.

Jazia sonhando em braços maternos, uma brasileirinha que talvez nem vá gostar de futebol, mas respira logo cedo os ares de um país que pulsa esse esporte que nem inventamos, mas que adotamos e criamos como filho da casa, um dos mais ilustres, diga-se de passagem. Talvez ela nem se lembre do ano de 2014, tão corrido, tão histórico, tão louco, tão verde e amarelo.  Ou talvez, sua memória infantil fotografe borrões desses momentos que estamos vivemos com a Copa no nosso país.
Tarja_Jessica