Brasil x Chile: o dia que acabou a luz na hora do jogo

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Fonte: Blog Torcida Flamanolos
Fonte: Blog Torcida Flamanolos

 

Eu ia escrever sobre outro tema. Já tinha parte no texto na cabeça independente da vitória ou não do Brasil no jogo de ontem contra o Chile. Mas, coisas aconteceram, amigos, coisas que fizeram desta partida uma daquelas que vão entrar para os anais da história da minha vida.

Estava feliz e contente vendo o jogo, fazendo os comentários bobos nas redes sociais e sofrendo pela falta de gol, de meio campo e de controle emocional da nossa seleção quando deu-se a desgraça: a luz acabou na minha rua. Tenho certeza que ouvi um som de desespero generalizado na minha vizinhança. Ouvi os pneus cantando no asfalto indicando que meus vizinhos sairam a caça de uma televisão para assistir o jogo, uma pequena prova do efeito que estava Copa está causando em nós.

O que fazer quando a luz acaba no meio do jogo? Ligar na Eletropaulo? Partir pra casa de alguém? Ou ligar o rádio via celular? Escolhi a última opção visto que as outras me fariam perder os lances do jogo. Por 20 minutos, sofri com a falta de imagens. Devo dizer que ouvir um jogo sofrido daquele pelo rádio deveria ser incluído nos testes cardiológicos. Apesar dessa aflição (e do fato de estar xingado mentalmente a Eletropaulo), os 20 minutos sem luz foram os do fim do primeiro tempo, intervalo e começo do segundo tempo. Não perdi muita coisa, quem perdeu mesmo foi a nossa seleção: perdeu o foco, a concentração e esqueceu de cumprir seu papel.

Lá pro meio do segundo tempo, quando a luz voltou, uma lembrança me assaltou a cabeça e voltei no tempo para  a Copa de 1998, naquele famigerado jogo da semifinal (acho) contra a Holanda. Tinha apenas oito anos, mas me lembro bem que foi a primeira vez que eu quase enfartei num jogo de futebol. Conforme o tempo do nosso jogo foi passando e o bendito gol não vinha, 98 foi ficando mais perto para mim, mais claro e meu coração já descompassava de nervoso. O meu e o do país…

Ah, a prorrogação! Os 30 minutos mais malditos na vida de um torcedor. Chega até ser sadismo da parte dos meninos da seleção deixarem que a coisa degringolasse para isso. Que crueldade! Pelo menos, o Brasil jogou um pouco melhor, mas nada da bola entrar no gol. Aos poucos, no horizonte das possibilidades esquecidas, surgiam os penaltis. Mais uma marca do sadismo da seleção para com nossos pobres corações.

Na época do colégio, fui goleira do time de handebol e fomos a final do campeonato interno. Não há nada que pressione mais um goleiro, posso falar por experiência, do que os penaltis (essa final que joguei chegou aos penaltis). É a redenção ou a desgraça do goleiro, que carrega nos dedos a responsabilidade de uma torcida, que no caso do jogo de ontem, seria a responsabilidade de um país, de cinco estrelas que desejam há um tempo uma sexta irmã. Para o nosso Júlio César, tão desacreditado desde 2010, era a chance de provar se ele é um bom goleiro ou que está na hora de se aposentar. Dois gols defendidos (e Deus sabe como é grande o gol do futebol e como é difícil defendê-lo) o colocaram num patamar dos grandes heróis do nosso futebol e garantiram nosso passaporte para as quartas de final contra a Colômbia. Eh, amigos, preparem o coração para os próximos dias. Se as oitavas estão com esse sabor de final, imagine os próximos jogos?

Tá tendo Copa sim, é uma bem emocionante!

 

#centraldacopa
#centraldofutebol

 

Tarja_Jessica