A abertura da Copa e o torcedor-eleitor

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A abertura da Copa foi bonita, no padrão das aberturas de Copa do Mundo, sem o mesmo brilho (e tempo) das aberturas de Olimpíadas. Quem esperava um festival de estereótipos, com mulatas e samba, deve ter se decepcionado, já que dança, mostra da diversidade cultural do país e efeitos interessantes na bola gigante do centro do gramado provavelmente não eram tão previsíveis assim. A se lamentar a quase nenhuma atenção para o Andar de Novo, projeto do cientista brasileiro Miguel Nicolelis em que um tetraplégico chutou uma bola, sobre o que já falamos aqui em Pontapé (re)Inicial e a confirmação de que o que vale mais atualmente é o mercado, o que confirma a opção por Pitbull, Jennifer Lopez e Claudia Leite para a música tema do evento, totalmente fora de contexto.
AberturaCopa
Já fora da cerimônica de abertura mais dois fatores a se lamentar, a confirmação de que o Brasil precisa investir muito em educação, já que no lugar de resolver as questões com o voto, muitos brasileiros preferem mandar o(a) presidente(a) tomar no c… e a falta de raciocínio de muitos dos críticos, que optam por repetir o senso(?!) comum dizendo que torcerão contra a seleção para não favorecer uma possível reeleição. Pensando só um pouco dá pra lembrar que

– em 98 a seleção perdeu a final e mesmo assim FHC se reelegeu presidente;
– em 2002 a seleção ganhou a Copa e Lula, da oposição foi eleito presidente;
– em 2006 a seleção perdeu a Copa e Lula foi reeleito;
– em 2010 a seleção perdeu a Copa e Lula fez de Dilma sua sucessora;

De onde fica claro que imaginar que uma vitória da seleção fará com que as pessoas esqueçam todos os problemas que enfrentam diariamente desde 1500 é tomar o cidadão brasileiro por beócio. Mais do que isso, é assinar seu atestado de tal categoria.

É direito de cada um torcer contra, a favor ou muito pelo contrário, para quem quiser. Deveria ser obrigação pensar antes de repetir algo.

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#copa2014