O Vendedor de Bananas – Publicidade, Consumismo e Racismo

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Enquanto lê um novo comentário sobre o episódio de racismo envolvendo Dani Alves, do Barcelona, e a repercussão da campanha #somostodosmacacos, você pode ouvir O Vendedor de Bananas, de Jorge Benjor, perfeita para a situação.
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Depois do post O Patrão Mandou – Paulino Soares – Racismo até quando?, surgiram novas informações e a polêmica se instalou nas redes sociais. Vale pontuar algumas questões.

Publicidade
Muita gente tem criticado a campanha #somostodosmacacos, e esse blog também acredita que a ação merece alguns reparos. Na publicidade, é possível afirmar que não existe certo e errado; o que existe são anúncios e campanhas mais pertinentes/adequados e outras que não se “encaixam” tão bem. Em si, o tema #somostodosmacacos poderia ser aceito, uma vez que a publicidade trabalha com simbologias e o conceito que se quer passar é o de que somos todos iguais, usando a banana atirada pelo torcedor do Villareal e devorada pelo lateral brasileiro como fio condutor da comunicação. Ainda assim, por tratar-se de um tema tão delicado, poderia ter havido uma reflexão maior, prevendo todas as possíveis “leituras” do “slogan” da campanha, especialmente as várias com viés negativo.

Outro aspecto importante a ser considerado diz respeito a (falta de) transparência. Ao contrário do que a conduta de vários publicitários nos leva a crer, um dos princípios básicos na publicidade é que as pessoas saibam quando estão sendo abordadas por uma empresa ou um produto. Exatamente o que não aconteceu nesse caso, quando muita gente embarcou na campanha sem saber que estava ajudando a vender camiseta (empresa de Luciano Huck) ou a dourar ainda mais a imagem de Neymar, conforme projetado pela Loducca.

Era provável, e previsível, que misturar banana, racismo e macaco numa mesma ação publicitária, ainda por cima desenvolvida “na surdina”, terminasse em dor de barriga.

Consumismo
Consumir é fundamental para vivermos com conforto. Consumismo é o consumo exagerado e desnecessário de produtos e serviços. Nesse caso, as pessoas compram e compram, mesmo sem necessidade, imaginando que assim vão conquistar algum tipo de prazer, felicidade e sucesso. As empresas, por meio de ações publicitárias e de marketing, induzem as pessoas a comprar mais e mais.

Urubus esperam ansiosamente que alguém morra para que possam se alimentar da carcaça. Quando uma campanha contra o racismo é arquitetada com alguma antecedência e fica esperando uma oportunidade para ser lançada, alguém pode dizer que se trata de estratégia. Quando ela vem à tona pelas mãos de um craque, como se fosse uma reação espontânea, sem que saibamos que se trata de publicidade, passa a ser oportunismo e… um tiro no pé.

Quem agora vai acreditar que Neymar está agindo de forma natural quando abraça um garotinho depois de uma partida da seleção brasileira? Será que Luciano Huck, como diz a música, é um menino que precisa de dinheiro e tem que ser bananeiro? A imagem que fica é a de quem se aproveita de uma situação para faturar algum.
ModaBanana
Angeli é certeiro novamente e sua charge (antiga) já mostrava como a moda (consumista) anda banana.

Obs.: antes que imaginem que condeno publicidade e marketing, reforço que sou profissional da área e que o problema todo não está nas disciplinas em si, mas na conduta de alguns profissionais da área.

Racismo
Toda essa bagunça serviu apenas pra desviar o foco do que é realmente importante, o combate ao racismo. Estamos perdendo a guerra. O tema é sério e precisa ser tratado assim, sem mau humor, mas com seriedade. Os números mostram e quem tem os olhos abertos vê o racismo em toda parte, como tentei mostrar em Não existe racismo no futebol brasileiro. Pior que isso, está espalhado pelo mundo todo.

As ações educativas são fundamentais. Educação é tudo em que mais acredito; no entanto, não são suficientes para o momento. Enquando a consciência não chega, o racista tem que ser punido imediatamente e com contundência.

#FutebolSemRacismo

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