Memórias Futebolísticas: Mirelli Fernandes

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Há tempos devo minhas memórias futebolísticas ao Blog Futebol-Arte. E, para quem tem um irmão como o meu, elas são muitas – pode apostar. Sempre fui abarcada pelas aventuras dele – nas quais eu ia sem pestanejar. Dentre elas, só por curiosidade, sempre estarão as elaboradíssimas tabelas que ele desenvolvia para o campeonato do futebol de botão. E ai de quem infringisse quaisquer regras ou não comparecesse ao torneio! Lembro que eu tinha um apreço especial pelo Botafogo e pelo Cruzeiro – não pelos times, mas porque eles formavam uma constelação naquela quadra verde, sob os meus olhos. Era estrela pra todo o lado, e isso tinha a ver com o meu viés poético de ver as coisas – que não tem nada a ver com as minhas memórias futebolísticas propriamente ditas.

A minha família (quase toda) é são-paulina. Eu, idem. Hoje, ouso dizer, sou muito comportada neste quesito, mas já xinguei bem até a quinta geração do juiz, do zagueiro, do atacante, do goleiro – e do cidadão da minha frente, quando não me deixava enxergar mais nada, lá no Morumbi. Sempre gostei mais de arquibancada, mas os excessos de gentilezas familiares, às vezes, me levavam à numerada. Talvez quisessem me instalar mais confortavelmente, mas eu nunca fui dada a frescuras.
MemoriasMirelli
Lembro que eu ia frequentemente ao CT do São Paulo, aos finais de semana. Lembro, também, que eu segurei as chuteiras do Caio Ribeiro – numa época em que ser comentarista sequer estava nos planos dele, acho eu – para que ele pudesse liberar as mãos, e me dar um autógrafo. Outra memória especial mora lá em 94, no dia do embarque da seleção para os EUA, para a Copa do Mundo. Eu era tiete do Leonardo (não o cantor!, o lateral-esquerdo da seleção na época). Meu pai nos levou – eu, meu irmão e minha irmã – ao aeroporto. Conversamos e tiramos fotos com o Cafu, o Rivaldo, o Zetti, o Leonardo e toda a trupe. O Cafu nos ofereceu um pão de queijo (não aceitamos, como manda a boa educação, mas fizemos questão de contar pra todo mundo!). Na hora do embarque, eu disse para o Leonardo que eu ia rezar para ele ser o titular (ele tinha ido como reserva do Branco). Eu não rezei, mas acho que a minha vibração funcionou, pois o Branco saiu e ele ficou – que horror! E eu acho que a minha vibração nem foi tão certeira assim, pois ele foi afastado, depois de acertar uma cotovelada no rosto de Tab Ramos, num jogo contra os donos da casa. É interessante reviver tudo isso.

Bem mais recentemente, para ser mais precisa, em 2005, acompanhei o diretor iraniano Ali Maddahi na produção do documentário ‘Brazil: the land of football’, para a emissora IRIB TV2 (Irã). Essa aventura me propiciou acompanhar os bastidores desse universo, no São Paulo, Santos e São Caetano, entre outras incursões.

É curioso pensar que, sem que eu me desse conta, muitas dessas memórias relatadas aqui, já residem há 20 anos (ou bem mais!) de mim. E como outros passatempos e interesses foram permeando a minha vida, mas que algumas coisas simplesmente vão permanecer. Como aquele dia em que eu ganhei uma camisa da Portuguesa, do meu avô materno – português invocado, jogador de bocha da Lusa! Essa, em especial, é a memória que eu colocaria num altar. Bem como as idas ao Canindé. É o que sintetiza o viés futibolístico da minha infância, e que me projeta – ainda que mentalmente – dentro daquela blusinha, até hoje. Algumas lembranças alinhavam a nossa história. E foi prazeroso revivê-las aqui, palavra de escoteira.

Vida longa ao blog, Ricardo Roca!

Mirelli Fernandes é Especialista em Linguagens da Arte e pós-graduanda em Artes Visuais, Intermeios e Educação. Afora os títulos, ela não sabe extamente quem é, mas sabe que não vive sem arte, literatura e uma mala sempre pronta (não necessariamente nessa ordem).

Texto escrito especialmente para o Blog Futebol-Arte!