Aqui é trabalho… mas também é apoio

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Aqui é trabalho… mas também é apoio – Por Fernanda de Lima

O São Paulo de Muricy é o São Paulo de Rogério Ceni
SPFC
– Vamos começar a semana do troca-troca no Donas da Bola. Fernanda, você vai ser a primeira sorteada.
– Ok. Vamos lá, 20 times, eu, primeirona, não há de dar nada errado. Tenho, inclusive sorte de ser a primeira.
– Anota aí!
– Manda, tô ansiosa!
– São Paulo.
– #%#¨$%&#%!@$% @#¨%$&#%!!$ #@%$&&#$%@
– HAHAHAHAHAHA.

Essa minha sorte não tem limite!!

Passada a minha fúria inicial, a verdade é que o destino é justo, cruel, mas justo. E honestamente? EU ADORO UMA JUSTIÇA. O São Paulo vem sendo o alvo principal das minhas cornetas nesse 2013. Também pudera, com meu time passando uma temporada no purgatório da segundona, eu precisava me apegar a algo para manter viva a minha paixão pelo futebol. Sou adepta, sim, da corneta gratuita, e quando um time me incomoda, ah, meus amigos, aguentem, porque eu vou arranjar um motivo. Qual a graça do futebol sem aquela cutucada com vara curta no adversário?

Semana passada me perguntaram quem eu acho que estará no G4 no final do campeonato brasileiro. Imediatamente respondi Cruzeiro, em seguida Atlético-PR e Grêmio. Depois parei para pensar: quantos pontos tem o São Paulo? “Peraí, aquele mesmo São Paulo que há algumas rodadas lutava contra o rebaixamento?”. Sim, ao menos no nome e na camisa, esse mesmo São Paulo.

A seis rodadas do fim do Brasileirão, o tricolor do Morumbi já é o melhor paulista da competição, a 10 pontos da zona do rebaixamento e a sete do G4. Mas por que, pra mim, ainda existe a possibilidade de chegar ao G4, mesmo com quatro equipes à sua frente nesse momento? Porque eu insisto que o nível do campeonato está baixíssimo, e entre os piores, Muricy consegue fazer do seu time o melhor.

Se eu já coloco Cruzeiro, Atlético-PR e Grêmio entre os três primeiros, vamos analisar o restante da tabela para os adversários do SPFC na luta pela última vaga do G4:

O Botafogo, atual 4º colocado tem 53 pontos e enfrenta nas últimas rodadas, respectivamente: Internacional, Portuguesa, Atlético-PR, São Paulo, Coritiba e Criciúma. Teoricamente, as duas pedreiras que os cariocas enfrentarão são Atlético-PR e SPFC. O Inter, como água de chuchu, não vem incomodando ninguém. Dentro ou fora de casa, vencer Portuguesa, Coritiba e Criciúma não é nada mais do que obrigação pra quem quer abocanhar a última vaga.

O Goiás, com 52 pontos, tem pela frente: Flamengo, Ponte Preta, Internacional, Atlético-MG, Grêmio e Santos. O Goiás tem 14 vitórias no campeonato, uma a mais que o SPFC, tem um ataque mais eficiente, mas uma defesa tão vazada quanto a do tricolor. À exceção do Grêmio, todos os outros times que o Goiás enfrentará daqui pra frente encontram-se abaixo dele na tabela. A equipe vem simplesmente de seis vitórias seguidas! Os são paulinos deveriam definitivamente virarem seus secadores para os esmeraldinos, a equipe mais consistente entre as adversárias diretas.

O Atlético-MG tem 48 pontos e enfrenta: Bahia, Internacional, Portuguesa, Goiás, Fluminense e Vitória. Não é uma sequência exatamente complicada, mas naturalmente os mineiros jogam para cumprir tabela. Já garantidos na Libertadores do ano que vem, e sem chances de título nesse Brasileirão, o Galo está e deve estar voltado para o Mundial que já bate à porta da mineirada. Por esse o São Paulo já passou, e pra mim? Fácil, fácil.

Vitória, 48 pontos, o primeiro clube imediatamente à frente do tricolor na tabela. Na 7ª colocação e com o mesmo número de vitórias que o time de Muricy, 13, o Leão enfrenta: Ponte Preta, Cruzeiro, Santos, Criciúma, Flamengo e Atlético-MG. O que esperar de um time que tem exatamente 50% de aproveitamento no campeonato? Na dúvida, fico como eles… Em cima do muro.

Chegamos à sequência são paulina. 46 pontos, 8ª colocação. O ataque que faz e a defesa que toma têm pela frente: Atlético-PR, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Criciúma e Coritiba. O caminho para o especialista brasileiro em competições internacionais passa pelo Sul do país e pelo Rio de Janeiro. Se futebol fosse lógico, pra mim, o São Paulo só se complicaria contra o Atlético do Paraná, jogando fora de casa. De resto, pega o Flamengo em casa, com a torcida na onda do “time de guerreiros”, um Fluminense à beira do abismo fora, Botafogo em casa, Criciúma rebaixado fora e Coritiba em casa. Os matemáticos dizem por aí que o São Paulo tem apenas 6% de chances de chegar à Libertadores. Se entre 2007 e 2008, gênios matemáticos erraram os cálculos em Wall Street e quase destruíram o sistema financeiro americano, vocês acham que vou dar créditos a matemáticos de Brasileirão? o.O

Eu, de fora, fui contra a vinda de Muricy para o Morumbi no lugar de Ney Franco. Lembro bem quando o técnico deixou a equipe em sua última passagem aos gritos de “Burricy” por uma boa parcela da torcida. O São Paulo de Muricy não joga bonito, mas hoje quem joga? O São Paulo de Muricy é, sobretudo, eficiente. E num campeonato de nível baixíssimo (sim, baterei novamente nessa tecla) ser eficiente entre tantas deficiências é um grande trunfo.

A arrancada tricolor se deve apenas à chegada de Muricy ao SPFC? Sim. Não pela incompetência dos técnicos anteriores, mas especialmente pelo fato de Muricy contar com o apoio incondicional do maior ídolo são paulino, Rogério Ceni. Quem consegue ignorar a importância e a influência de Ceni dentro desse grupo, desse clube? Trabalhar com alguém de seu agrado definitivamente colaborou para o SPFC ser a segunda melhor equipe do segundo turno, atrás apenas do Cruzeiro.

Desde passado o comando a Muricy, em 10 de setembro, o São Paulo somou 28 pontos em 13 jogos no Brasileirão e está prestes a assegurar a vaga nas semifinais da Copa Sul-Americana. “Aqui é trabalho, meu filho”, mas também é apoio. O São Paulo de Muricy é o São Paulo de Rogério Ceni.

Fernanda de Lima é jornalista, colunista na Autoracing, na Portal Rackets, Social Media e Colunista na Donas da Bola.

Texto originalmente publicado no site Donas da Bola: http://www.donasdabola.com.br/2013/11/04/aqui-e-trabalho-mas-tambem-e-apoio/

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