Gaivotas da Fiel, a homofobia continua

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Há dois meses uma polêmica (tola) tomou conta das conversas de botequim, das mesas redondas e dos bate-papos entre torcedores: o “selinho” do Sheik. Na ocasião escrevemos algo a respeito aqui em Você tem medo de quê? ou Homofobia em pleno século XXI?.

Agora, o motivo é outro, mas a pauta é a mesma, a homofobia no futebol. Tudo porque o jornalista Felipeh Campos, que ficou conhecido interpretando uma versão mais recente do personagem Pablo, do antigo programa Qual É a Música, do SBT, resolveu criar uma torcida organizada em homenagem ao Corinthians. Mais do que isso, inspirou-se na principal torcida organizada do clube, a Gaviões da Fiel para criar a… Gaivotas da Fiel.
Gaivotas
Óbvia e lamentavelmente, Felipeh passou a sofrer ameaças desde então; não apenas de agressão, mas também de morte. Apesar da expectativa de atrair 500 mil integrantes, a rejeição entre os corintianos é enorme, diretoria do clube e outras torcidas organizadas em especial.

Dá pra dizer que a situação toda é um conjunto de erros. De quem tem reações homofóbicas nem é necessário comentar, seja corintiano ou torcedor dos rivais, que se “aproveitam” da situação toda para destilar seus preconceitos. Dos que “apenas” brincam, talvez não percebam que estão reforçando estereótipos e preconceitos. Em relação ao próprio criador da Gaivotas, não sei suas motivações, mas mesmo que sem intenção, sua ação acaba contribuindo para uma segregação dos homossexuais.

“A minha ideia é só que todas as pessoas possam ir ao estádio, sem preconceito”, disse Felipeh. Poderíamos esperar assim que todas as minorias discriminadas passem a criar suas próprias torcidas. Logo teríamos a “Judeus da Fiel”, “Negros da Fiel”, “Mulheres da Fiel”, “Nordestinos da Fiel” e assim por diante. O ideal não seria que houvesse apenas a “torcida do Corinthians”?

Vale destacar novamente que esse assunto não é exclusividade dos alvinegros, merecendo o post apenas pela repercussão gerada. Outros clubes também já tem suas próprias torcidas gays:

Grêmio: Coligay (1ª torcida gay do Brasil, criada oficialmente em 1977)
Flamengo: Fla-Gay / Flamengo Livre
Cruzeiro: Raposões Independentes / Cruzeiro Maria
Atlético Mineiro: Galo Queer
São Paulo: Bambi Tricolor
Náutico: Timbu Queer
Grêmio: Grêmio Queer
Vitória: Vitória Livre
Bahia: EC Bahia Livre
Internacional: Queerlorado
Palmeiras: Palmeiras Livre
Corinthians: Corinthians Livre

(*) Queer: gíria que significa gay.

Não sou o primeiro a dizer isso, mas essa revolta toda com os gays por parte de quem se diz hétero deve ter alguma razão de foro íntimo a ser descoberta pelos próprios agressores. Não podemos simplesmente assistir a uma partida de futebol todos juntos, lado a lado? Nesse caso, vale repetir a pergunta do post anterior: Você tem medo de quê?

Imagem extraída da página da Gaivotas da Fiel no Facebook: https://www.facebook.com/gayvotasdafiel.

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