A educação e o futebol

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Se há duas coisas vistas – e “sentidas” – de forma absolutamente antagônica por essas terras são o futebol e a educação. Enquanto o primeiro é paixão nacional e praticamente unanimidade entre crianças e jovens em idade escolar, infelizmente, estudar é sempre associado a algo chato. Muitos são os motivos para isso e não nos cabe aqui discuti-los; ao menos não neste momento. A ideia desse texto é refletir sobre como aproveitar o interesse de um para alavancar o outro, como unir os assuntos de forma a colaborar com a melhoria da educação ou, ao menos, aumentar o interesse dos estudantes pelas aulas.
Educacao_Futebol
Quem já entrou em uma sala de aula sabe que o quadro de apatia é algo bastante comum de ser encontrado. Quem já entrou em um estádio de futebol em dia de jogo sabe que o entusiasmo as vezes é até mais intenso que o desejado. Será que não dá pra tabelar?

Me recordo que quando ainda frequentava a escola, fui “salvo” em algumas provas por causa do futebol. Desde bem criança, com as tabelas dos campeonatos de pebolim e jogos de botão que elaborava para os campeonatos “internos” com o meu pai, calculava os pontos dos times, gols marcados, gols sofridos, saldo de gols etc., o que me ajudou em algumas atividades de matemática. Também aprendi o nome de várias capitais pelo Brasil afora e de vários países apenas por acompanhar o andamento dos jogos e conhecer os estádios dos clubes. Libertadores da América logo deixou de ser apenas um campeonato e se tornou objeto de curiosidade; quis saber porque esse era o nome do torneio e quem eram esses tais “heróis libertadores”. Soube mais a respeito da II Guerra Mundial inicialmente por ela ter impedido a realização de duas Copas do Mundo na década de 40. São muitos os exemplos e cabem para todas as disciplinas que se queira.

Há alguns dias participei de algumas palestras e mesas de debates no 2º Congresso Esporte de Alto Desenvolvimento: Futebol Além das Quatro Linhas. Na apresentação de Patricia Negreiros, do Instituto Bola pra Frente, do ex-craque Jorginho (campeão do mundo em 94 pelo Brasil), a tônica se dava mais pela “climatização” do ambiente, com a linguagem do futebol sendo transferida e utilizada em sala de aula para atrair e motivar os jovens das comunidades carentes onde a ONG atua.

Na palestra do Prof. Dr. Flávio de Campos, coordenador do Ludens, da USP, vários foram os exemplos de como o futebol pode servir como fio condutor ou linha de articulação dos vários conteúdos conceituais na área de ciências humanas, buscando interesse e envolvimento dos estudantes. Foram apresentadas, dentre vários outras abordagens, imagens que “dialogavam” entre si apresentando momentos distintos da história recente da Alemanha, relacionando momentos da seleção germânica com o processo de unificação do país. Da mesma forma, a questão da pluralidade étnica na seleção francesa campeã do mundo em 98 e a força dos movimentos separatistas na Espanha e sua ligação com a rivalidade entre Barcelona e Real Madrid.
Treinamento_Educacao
Se já somos pentacampeões mundiais e conhecidos como o “país do futebol”, mas ao mesmo tempo reconhecidos pelos péssimos resultados nos rankings da área de educação, fica claro que uma tabelinha entre esses dois temas, com maior ou menor grau de profundidade, é possível, desejável e, provavelmente, nos dá mais chances de vitória onde mais precisamos no momento.

Imagem 1: extraída do site InterSoccer Madrid
Imagem 2: extraída do site Get Inside Soccer

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