Boicotar a Copa é uma boa ideia?

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Gosto de acreditar que sou do tipo de pessoa que se move “pelo coração” e que atuo com intensidade nos projetos em que me envolvo. Pode ser uma visão equivocada, romântica e idealizada sobre mim mesmo. Bom assunto para alguns anos de análise, mas como disse, gosto de acreditar nisso e, me parece que tenho elementos para tanto. De forma alguma, isso me tira um forte componente de racionalidade na tomada de decisões. Racional e emocional ao mesmo tempo? É mais uma daquelas “incoerências” que os seres humanos carregam.

E você, de que tipo é? Racional? Impulsivo? Qual a sua opinião diante das opções expostas a seguir?

Nos últimos dias temos visto muitas manifestações por todo o Brasil, com reivindicações legítimas, outras nem tanto, muita dívida social ainda represada, apesar dos avanços dos últimos anos, um certo despertar de consciência em relação aos absurdos privilégios de uns poucos diante das agruras de muitos muitos. As absurdas exigências feitas pela Dona FIFA ao governo brasileiro para a realização do evento, conjugadas as ainda mais absurdas escolhas de prioridade para o investimento do dinheiro público (estádios monumentais no lugar de escolas e hospítais, apenas pra ficar no lugar comum e óbvio) direcionaram boa parcela dessa insatisfação popular para o futebol e as Copas, das Confederações, agora, e do Mundo, em 2014.
Copa_no_Telhado

Muita gente sugere o boicote. Nesse vídeo que já rodou o mundo, são apresentados bons motivos para você boicotar a Copa do Mundo de 2014. Vale a pena assistir!

Por outro lado, o Blog do Juca Kfouri traz hoje um ótimo texto de Oliver Seitz que joga um pouco mais de luz ao tema e apresenta um “outro ângulo”. Em sua argumentação ele nos pergunta algo como: Será que boicotar a Copa agora não seria como buzinar pro carro bloqueando o cruzamento depois que você chegar em casa? Vale a pena ler!
http://blogdojuca.uol.com.br/2013/06/por-que-voce-nao-deve-boicotar-a-copa/

O bacana disso é que você agora pode formar a sua própria opinião. Qual é? Deixe aqui seu comentário!

5 COMENTÁRIOS

  1. Superficialismo ou não, “boicotar” a Copa é uma forma de protesto, e não de recuperar custos. Oliver Seitz está iludido em suas opiniões e parece estar escrevendo do alto de sua arrogância, sem contato com a realidade brasileira. A mensagem dos manifestantes não é contra o custo da Copa, mas compara a rapidez e disponibilidade de recursos movidos por governantes em benefício do evento com a mensagem de escassez a que o brasileiro está acostumado quando o assunto é a melhoria de seus serviços públicos. Se os manifestantes entendem plenamente porque estão indo às ruas não tem relevância para o movimento, já que o que se pede está entalado na garganta do Brasil faz muito tempo, e é de conhecimento comum de todos. O Brasil terá Copa, e à Copa todos iremos e esqueceremos temporariamente os problemas. Mas se quisermos deixar de ser a eterna nação “em desenvolvimento”, ou o “poder emergente”, ou, mais romantizado, “o país do futuro”, a população deve sim exigir um governo competente que investe no que realmente importa para o país, que gasta com responsabilidade, que controla suas finanças e que põe na cadeia como criminosos comuns seus políticos corruptos – e não um país campeão em marketing internacional. Dizer que o custo da Copa “já passou” é sinal ingenuidade e ignorância, senhor Seitz. O custo da Copa só começa nos estádios, e se perpetua na desigualdade social, no distúrbio do fluxo econômico normal das cidades sedes e em mais uma distração para o povo. Feliz do povo do Brasil que já não mais aceita “pão e circo” para ficar calado. O gigante realmente acordou.

    • Oi Dan,
      Primeiramente obrigado por sua mensagem.

      Penso que concordamos no diagnóstico (“rapidez e disponibilidade de recursos movidos por governantes em benefício do evento com a mensagem de escassez a que o brasileiro está acostumado quando o assunto é a melhoria de seus serviços públicos”), mas discordamos nos encaminhamentos e soluções propostas. Não sei se protestos que tragam ainda mais prejuízos para o país são o caminho mais acertado.

      Concordo totalmente quando você diz que os custos apenas começam nos estádios e se perpetuam na desigualdade social, ainda que os avanços nesses últimos anos sejam inegáveis e maiores do que os dos 400 e tantos anos anteriores.

      Finalmente, palavras de ordem já não fazem muito a minha cabeça a não ser como slogans publicitários. O lance do “gigante acordou” (movimentos sociais existem a décadas) me soa como apenas isso mesmo, um slogan e sobre a expressão “pão e circo” já manifestei minhas impressões post http://54.198.123.184/opiniao/futebol-pao-e-circo-para-o-povo/.

      Vivemos um momento histórico que não pode ser desperdiçado pelo vazio; vazio de propostas, de pautas, pela ideia de que sem partidos, sem mostrar a cara, sem nome, sobrenome e clareza vamos conseguir chegar a algum lugar.

      um abraço,
      Ricardo Roca

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