Impacto Econômico da Copa 2014

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Uma das críticas mais comuns (e equivocadas) que se faz por aí argumenta que o Brasil não cuida direito da educação, da saúde e de mais um monte de coisas, mas tem dinheiro para fazer uma Copa do Mundo, que seria algo supérfluo diante de tamanha dívida social. Não faz nenhum sentido culpar o futebol pelos problemas sociais do país. O futebol não faz parte do problema; ao contrário, pode contribuir com a solução.

Esse tipo de equívoco é até comum, mas não se sustenta. Primeiramente porque não se pode escolher um aspecto da vida em detrimento de todos os demais. A vida é múltipla e complexa para que se viva por meio de um quadro de hierarquias. Basta pensar só um instante para ver como o raciocínio é frágil. Se fosse levado ao pé da letra, governos não poderiam investir em estradas, parques, geração de energia, meio ambiente, cultura e mais um monte de coisas enquanto houvesse um único habitante sem acesso a educação ou saúde.

Sem entrarmos em aspectos políticos, no sentido partidário da coisa, nos últimos anos, nosso país vem conseguindo resgatar parte dessa dívida social e quase universalizar o acesso a educação, saúde e mercado consumidor em geral. Estamos longe de ter serviços com a qualidade necessária, mas os avanços são inegáveis.

Deixando claro que corrupção é algo execrável e merece sempre apuração e punição para os envolvidos, não devemos desconsiderar o impacto positivo que a Copa do Mundo trará ao Brasil. Nem estamos falando aqui sobre os benefícios em termos de infraestrutura nos aeroportos e estradas e a criação de novos pólos regionais de desenvolvimento, já que esses investimentos deveriam ser realizados com ou sem a Copa do Mundo. Estamos nos referindo aos mais de 600 mil turistas estrangeiros a nos visitar e aos cerca de 330 mil empregos permantes e 380 mil temporários gerados pelo evento, além da incomensurável mudança/reforço na imagem brasileira no exterior.

As possibilidades em termos de campanhas institucionais pelo mundo são gigantescas e tanto governos quanto iniciativa privada devem planejar ações com competência para conquistar resultados positivos em termos de produtividade e lucratividade.

Um estudo de 2010, realizado pelo Ministério dos Esportes apresenta alguns desses números: Impactos econômicos da realização da Copa 2014 no Brasil.

Sem dúvida que um debate a respeito da escolha de determinadas prioridades, o questionamento aos governos e organizadores do evento e o acompanhamento e fiscalização dos gastos deve ser feito com atenção.

Para ver números mais detalhados, acesse: http://www.copa2014.gov.br/sobre-a-copa/grandes-numeros/

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Ricardo Roca
Formado em Comunicação Social e pós-graduado em Administração de Empresas, ambos os cursos pela ESPM, atualmente cursando mestrado em Linguística. Professor universitário, sócio da Roda Fiandeira, consultor nas áreas de comunicação e marketing e apaixonado por futebol e arte.

4 COMENTÁRIOS

  1. Concordo que o impacto na economia será muito grande, mas estou com o montante que é contra a copa. A questão das prioridades é o que deve ser revisto, é importante fazer um evento deste porte, porém frente aos inúmeros problemas do nosso país, se tratando de prioridade, certamente a copa seria uma das últimas.

    • Oi Gustavo,
      Respeito sua opinião, mas como argumentei no texto, realmente não acredito que seja possível esperar TUDO se resolver em termos de educação, saúde, transporte etc. etc. antes de se pensar em realizar outras coisas. Se fosse assim, não poderíamos pensar em mais nada (bienal, arte, museus, esportes, cinema, teatro, música etc. etc. etc.) enquanto houvesse alguém com fome.

      Não se trata de ser insensível aos olhos de quem tem demandas sociais urgentes; ao contrário, vendo a cerimônica de encerramento das Olimpíadas ontem, fiquei imaginando quantas pessoas não se interessaram pelos produtos, pelos artistas e por tudo o mais da Inglaterra. Quantas pessoas não incluíram o país em seus planos futuros de viagens? Isso tudo traz um retorno, inclusive financeiro, incalculável para os organizadores desse tipo de evento.

      Agora, roubalheira?!… Isso realmente é de matar…

  2. Claro, concordo em termos com o que disse. Mas ainda assim acredito que todos esses investimentos deveriam ser destinados a outros projetos. Corrupção é indiscutivelmente o maior problema do Brasil, e com as obras feitas as pressas para copa, o rombo nos cofres públicos será incalculável, mas isso não é minha justificativa para não acontecer o evento, pois ética e cidadania todos deveríamos ter. Enfim, essa nossa “discussão” deveria ser levada a todos os cantos da sociedade brasileira, pois é algo realmente que divide opiniões, de resto foi um bom texto. Parabéns.

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