Hugo Cabret, Barcelona, Santos e Van Gogh

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Recentemente assisti ao filme A Invenção de Hugo Cabret, o qual recomendo a TODOS. O filme é lindo e cheio de efeitos especiais, ainda mais quando assistido na versão 3D. No entanto, foi uma cena simples a que mais me cativou. Hugo conversa com Isabelle (ambos crianças) e diz que as coisas têm um propósito. Por exemplo, um relógio só existe para mostrar as horas e, se está quebrado, precisa ser consertado para que possa “cumprir” seu destino. E completa dizendo que com as pessoas é a mesma coisa. Todos temos um propósito, uma razão de existir e, se ainda não o estamos realizando, provavelmente também estamos precisando de conserto.

Chegamos então ao time do Barcelona, de sonho e fantasia. Seus propósitos estão sendo cumpridos a risca. Mesmo perdendo o título do Campeonato Espanhol e sendo eliminado da Liga dos Campeões, Messi e sua orquestra, em momento algum abdicou de suas convicções. Perder e ganhar são faces de uma mesma moeda; fazem parte da vida. A questão aqui nem é a recorrente Futebol-Arte x Futebol de Resultados, uma falsa discussão; também não é encantar a platéia; mera consequência. O ponto é cumprir seu destino, seguir seus valores e não se apequenar diante das dificuldades da vida.


Tem sido assim também com o nosso Santos, de Neymar, Ganso, Muricy e companhia. Ontem a noite, por exemplo, devolveu na bola as agressões que sofreu na Bolívia. Em mais uma exibição fantástica, deixou barato os 8 x 0 contra o Bolivar. Nesses últimos dois anos, o time praiano só não cumpriu seus própósitos justamente contra o Barcelona, na final do Mundial Interclubes, quando se deixou dominar pelo medo e trocou vocação por “estratégia”.


É certo que, as vezes, é necessário fechar-se na defesa e tentar se recompor para retomar com mais força o ataque. Mas estamos falando aqui de um momento, um recuo estratégico, e não de uma vida de retranca e medo.

E então chegamos a Van Gogh, um dos maiores pintores de todos os tempos. Atualmente, suas obras valem milhões, mas durante sua vida, vendeu apenas um quadro e, ao que consta, para seu irmão Theo. Provavelmente, ao longo da vida, o artista deve ter escutado MUITOS conselhos para que fizesse algo mais rentável, mais seguro, que garantisse com mais segurança o sustento da família, talvez que prestasse um concurso…

Muitos são os que abrem mão de viver, para apenas sobreviver. Se é verdade que a vida não pode ser feita apenas de sonhos, é ainda mais verdade que sem eles não há vida alguma. E mesmo que você não tenha o talento de Messi, Neymar ou Van Gogh, lembre-se da mensagem de Hugo Cabret: não abra mão de seus propósitos.

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