Bate-bola com Casimiro de Abreu

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Ai, que saudade me dá
daquelas tardes de domingo…
Eu, ainda criança,
radinho de pilha na orelha,
construía minha memória.
Viver era uma glória,
e eu achava que o mundo
era uma grande bola
de futebol.
Vixe, se a professora ouvisse!
Decerto, diria:
– Ah, menino,
quanta caraminhola!

Ai, que saudade me dá
das peladas dominicais,
daqueles garotos alados,
sujos, enlameados,
em final de campeonato.
Enquanto a torcida aplaudia,
e o céu se coloria de carmim,
o domingo, sem meu querer, partia.
Com o radinho na orelha,
eu sabia que aquele Sol
era também, como o mundo,
uma grande e inesquecível bola
de futebol…

Paulo Netho