Causas e Conseqüências

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Muita gente confunde causa com conseqüência. Não são poucas as pessoas que, por exemplo, ao sofrerem desilusões amorosas, resolvem não se apaixonar mais (como se fosse possível controlar isso). Quando percebem que a coisa tá ficando séria, pulam fora. Outros tantos, quando perdem um cachorro ou gato… resolvem que não querem mais bichinhos de estimação. Daqui, fico apenas achando estranho e torcendo pra não tenham experiências ruins com viagens, sexo ou com comida (já imaginou se resolvem não comer mais?).

Nossos dirigentes se comportam de maneira parecida. Bêbados fazendo arruaça em estádios? Proibida a venda da cerveja, oras. Alguém agrediu um torcedor rival com o cabo da bandeira? Ué?, que se proíbam as bandeiras. É quase como o sujeito que chega mais cedo em casa, pega a mulher com outro no sofá e resolve tudo facilmente, vende o sofá! O que esses caras não fariam se tomassem conta do trânsito e presenciassem um atropelamento?

Estádios de futebol são dos poucos espaços que nos sobraram para manifestações espontâneas, livres. É SENSACIONAL ir até lá e xingar juiz e bandeirinhas, mesmo que ele não tenha errado. Faz bem para o fígado ver (e fazer) o cara do lado xingando o jogador adversário por ele ter esbarrado num jogador do seu time e vê-lo fazendo o mesmo julgamento quando um do time dele quase arranca a cabeça do adversário. É pra ser assim mesmo, não torna ninguém mau caráter, injusto etc. Acontece ali e fica (deveria) ali mesmo. Na rua não somos mais adversários ou rivais, apenas cidadãos. Isso não significa que no estádio vale tudo, claro que não.

Nesse momento em que se discute a venda de cerveja nos estádios, por conta da Copa de 2014, que tal revermos tudo? Será que nossos legisladores nunca imaginaram a possibilidade de proibirem os arruaceiros de freqüentarem os estádios, como foi feito com o torcedor do Ajax, da Holanda, que invadiu o gramado nessa semana para agredir o goleiro do AZ Alkmaar? Nem sei se o cara estava bêbado ou sóbrio, mas… seria algo revolucionário: agrediu, banido! Esse pegou 30 anos longe dos estádios.

No caso da decisões pessoais, os maiores prejudicados são eles mesmos, que se privam de parte da vida achando que assim ficam livres de riscos, mas no caso do futebol, o cara que decide na maioria das vezes nem sabe o que é uma bola e quem fica privado de conforto e espetáculos mais bonitos somos nós. Estamos indo pra frente ou para trás? Vamos pensar a respeito?!

Que em 2012 as pessoas vivam seus amores, curtam seus animais de estimação e que nossos estádios fiquem menos violentos e bem mais divertidos e bonitos!

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Ricardo Roca
Formado em Comunicação Social e pós-graduado em Administração de Empresas, ambos os cursos pela ESPM, atualmente cursando mestrado em Linguística. Professor universitário, sócio da Roda Fiandeira, consultor nas áreas de comunicação e marketing e apaixonado por futebol e arte.