Maracanã – Poesia

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O círculo cinza
cinge o campo:
cinto de ferro
abraço de pedra.
Curvas calculadas
no cimento: cruas
marquises marcadas
as rampas se arrumam.
Rimas ritmos rumos
rodeiam o estádio
estático à escuta:
elipse sem lapso
degraus granulados
de concreto armado.
Plantadas a prumo
as multidões aturdidas
as torcidas em tumulto
no atordoante alvoroço
na balbúrdia de brados
na batalha de braços
bandeiras e bocas
desfraldadas, abertas.
O gramado se franze
inflama as arqui
bancadas balançam
as flâmulas ágeis
com a ginga do jogo
que gera um gesto
geral um grito – gol!

Armando Freitas Filho